O Ibovespa abriu a sessão desta quarta-feira em baixa, perdendo o patamar dos 176 mil pontos, em meio à cautela dos investidores que aguardam a decisão de juros do Federal Reserve (Fed) nos Estados Unidos. O mercado também monitora o avanço do petróleo Brent, que saltou 7% e ultrapassou os US$ 90, impulsionado por ameaças do presidente Donald Trump ao Irã após um ataque surpresa a bases americanas.
Ibovespa sob pressão externa
O principal índice da Bolsa brasileira opera em queda de 0,4% por volta das 10h30, refletindo o movimento de aversão ao risco global. A expectativa em torno da reunião do Fed, que deve manter as taxas de juros inalteradas, mas sinalizar os próximos passos da política monetária, domina o noticiário. Segundo analistas da XP, o mercado já precifica uma pausa no ciclo de aperto, mas a incerteza sobre a inflação americana ainda pesa.
Petróleo dispara com tensão geopolítica
Os preços do petróleo Brent subiram fortemente, atingindo US$ 90,30 por barril, após o presidente Trump prometer uma resposta ao ataque iraniano a bases dos EUA no Iraque. A Arábia Saudita também se juntou aos americanos em ataques no Iraque, elevando o risco de uma escalada no Oriente Médio. O movimento impulsiona as ações da Petrobras, que sobem mais de 2% na Bolsa, beneficiadas pela alta da commodity e pelo recorde de produção registrado em junho.
Setor bancário e mercado de juros
Enquanto isso, o setor bancário enfrenta pressão. As ações do Santander Brasil caem mais de 6%, após balanço decepcionante com provisões elevadas e receitas fracas. Especialistas apontam que o aumento da inadimplência e a desaceleração econômica podem continuar afetando os resultados.
No mercado de juros, as taxas dos títulos públicos sobem, com a NTN-B de longo prazo pagando prêmios elevados. Um ex-presidente do Banco Central alertou que a inflação baixa pode derreter os ganhos desses papéis indexados ao IPCA, já que as taxas reais elevadas podem não se sustentar. "Com a inflação convergindo para a meta, os juros reais das NTN-Bs podem cair, reduzindo o retorno para quem comprou esses títulos", afirmou o ex-BC em entrevista.
Perspectivas para o dólar e mercados internacionais
O dólar opera estável, cotado a R$ 5,10, aguardando o comunicado do Fed. O mercado avalia se a moeda americana pode se fortalecer caso o banco central dos EUA mantenha tom hawkish. Na Ásia, as bolsas fecharam mistas, com destaque para a queda de 10% das ações da SK Hynix, apesar de resultados considerados excelentes, refletindo ceticismo do mercado sobre gastos com inteligência artificial.
Na Europa, os índices operam em baixa, enquanto investidores digerem dados de vendas da Danone, cujas ações caíram com a China ofuscando o desempenho positivo no segundo trimestre. No Brasil, a agenda do dia inclui a aprovação de novas canetas para tratamento da obesidade pela Anvisa, mas o foco permanece na decisão do Fed e nos desdobramentos geopolíticos.



