O Ibovespa fechou em forte queda de 1,52% nesta quarta-feira, atingindo a mínima do dia, após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter as taxas de juros inalteradas, em linha com o esperado, mas com sinalizações que desanimaram os investidores. A bolsa brasileira acompanhou o mau humor de Wall Street, onde o Dow Jones caiu 2%. O dólar, por outro lado, recuou para R$ 5,10, refletindo o movimento global de aversão ao risco.
Fed mantém juros e sinaliza paciência
O Fed optou por não alterar a taxa básica, mantendo-a no intervalo de 5,25% a 5,50%, mas o comunicado e as declarações do presidente Jerome Powell indicaram que o banco central americano não tem pressa para iniciar cortes, o que frustrou expectativas de afrouxamento monetário ainda este ano. A percepção de que os juros elevados podem perdurar por mais tempo pressionou ativos de risco globalmente. Segundo analistas, a decisão foi interpretada como 'hawkish', pesando sobre moedas emergentes e commodities.
Petrobras e Santander em direções opostas
Na contramão do Ibovespa, as ações da Petrobras (PETR4) subiram 2%, impulsionadas pelo salto do petróleo Brent, que superou US$ 90 após declarações do presidente Trump sobre ataques ao Irã. A commodity registrou alta de 8%, levando a estatal a se destacar positivamente. Já o Santander (SANB11) desabou 7%, após divulgar o menor lucro desde 2023. O resultado fraco foi atribuído ao aumento de provisões para devedores duvidosos e à compressão de margens. A ação acumula queda de 15% no ano, mas analistas avaliam se o balanço pode servir como gatilho para recuperação.
Brasil vira maior importador de carros chineses
Em outro destaque, o Brasil tornou-se o maior importador de carros chineses, ultrapassando outros mercados. O movimento acende um alerta para as locadoras listadas na B3, que podem enfrentar concorrência acirrada e margens apertadas. Especialistas apontam que a entrada maciça de veículos chineses pode pressionar os preços internos e exigir adaptação das empresas nacionais.
Política: Defesa de Bolsonaro e STF
No campo político, a defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro afirmou que ele não autorizou o uso de inteligência artificial em vídeo e tenta preservar a prisão domiciliar. O STF autorizou cooperação internacional para rastrear patrimônio ligado ao Banco Master. Em Minas Gerais, o cenário eleitoral se complica: Cleitinho liderava as pesquisas, mas perdeu a candidatura, gerando incertezas. O governador Romeu Zema e aliados articulam em torno de Marcelo Aro como possível palanque para Flávio Bolsonaro.
Mercados internacionais: petróleo e aversão ao risco
O petróleo Brent saltou 8% e superou US$ 90, após Trump afirmar que atingirá o Irã com força. A Arábia Saudita se juntou aos EUA em ataques no Iraque, elevando tensões geopolíticas. As bolsas de Nova York tiveram forte baixa: Dow Jones caiu 2%, S&P 500 recuou 1,6% e Nasdaq perdeu 2,1%, pesando o Fed, a alta do petróleo e a atenção a balanços corporativos. A Meta frustrou com lucro no 2T e elevou a projeção mínima de despesas de capital, fazendo a ação cair.
Outros destaques
O ex-presidente do BC, Armínio Fraga, disse não se arrepender de ter votado em Lula em 2022. A percepção da inflação disparou entre a população, ampliando o desafio de Lula para a reeleição, segundo pesquisa PoderData. No cenário internacional, o Irã atacou bases americanas, a Rússia acusou o fundador do Telegram de apoiar terrorismo, e a Austrália confirmou propagação da gripe aviária H5N1 em aves nativas. O músico irlandês Glen Hansard, vencedor do Oscar, morreu em acidente de motocicleta.



