O Ibovespa enfrenta um dia de volatilidade, tentando defender o patamar de 170 mil pontos, em meio a um cenário de incertezas após a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e o mau humor nos mercados externos. Os investidores digerem a comunicação do Banco Central, que foi considerada confusa por economistas, enquanto Wall Street registra quedas puxadas por ações de tecnologia.
Comunicação do BC gera dúvidas
A ata do Copom, divulgada nesta terça-feira, trouxe explicações sobre a decisão de manter a Selic em 13,75%, mas não convenceu os analistas. “Justificando o injustificável”, avaliou um economista de um grande banco, sob condição de anonimato. O documento indicou que o BC adiará o controle da inflação, o que gerou críticas sobre a falta de clareza na comunicação. A expectativa do mercado era de um tom mais duro em relação à trajetória de preços.
Mercado externo pressiona
Nos Estados Unidos, as bolsas caíram com uma liquidação em ações de tecnologia, alimentada por preocupações com a política monetária do Federal Reserve (Fed) e os altos gastos com inteligência artificial. O índice Nasdaq recuou mais de 1%, enquanto o S&P 500 também fechou no vermelho. Esse movimento negativo contamina o apetite por risco nos mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Tesouro IPCA+ e curva de juros
No mercado de renda fixa, o Tesouro IPCA+ voltou a ultrapassar 8,5% ao ano, refletindo o aumento da aversão ao risco e a leitura da ata do Copom. A curva de juros futuros opera em alta, com os investidores exigindo prêmios maiores para carregar títulos públicos. Esse movimento já impacta a precificação de ativos de risco, como ações e fundos imobiliários.
Dólar e câmbio
O dólar comercial opera em alta, cotado próximo a R$ 5,20, acompanhando o fortalecimento da moeda americana no exterior e o cenário local de incerteza fiscal. A ata do Copom não trouxe alívio para o câmbio, que segue volátil.
Perspectivas para o Ibovespa
Analistas técnicos apontam que o suporte dos 170 mil pontos é crucial para evitar uma correção mais profunda. Caso o índice perca esse nível, o próximo suporte está em 168 mil pontos. Do lado positivo, um eventual alívio no cenário externo ou uma comunicação mais clara do BC podem impulsionar uma recuperação. Por ora, o mercado adota postura defensiva, com maior procura por ativos de proteção, como ouro e títulos indexados à inflação.



