Os índices futuros dos EUA operam sem direção única nesta terça-feira (28), à medida que a piora no desempenho das ações de fabricantes de semicondutores ofusca o alívio observado em outros setores, beneficiados pela queda dos preços do petróleo e pelo recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. A pressão sobre o setor de chips reflete preocupações crescentes com a elevada concentração do mercado em poucas empresas e com o aumento do endividamento corporativo para financiar a expansão da infraestrutura voltada à inteligência artificial (IA). Também pesa no sentimento dos investidores uma reportagem do The Information, segundo a qual uma empresa estatal chinesa iniciou a produção em massa de máquinas de litografia ultravioleta profunda por imersão (DUV), reforçando os temores sobre o avanço da concorrência da China na indústria de semicondutores.
Pressão do setor de semicondutores
O setor de semicondutores enfrenta uma pressão significativa, com o Nasdaq Futuro recuando 0,70%, enquanto o Dow Jones Futuro avança 0,16% e o S&P 500 Futuro cai 0,09%. A concentração do mercado em poucas empresas, como NVIDIA e AMD, e o endividamento para projetos de IA geram dúvidas sobre a sustentabilidade do ciclo de investimentos. A notícia sobre a produção chinesa de máquinas DUV intensifica a concorrência, ameaçando a liderança de empresas como ASML.
Expectativa pela decisão do Fed
A decisão sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed) está prevista para quarta-feira. Os investidores esperam que o banco central mantenha a taxa inalterada. Os contratos futuros de Fed Funds precificavam, pela última vez, um aumento de 0,25 ponto percentual em setembro, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME. O mercado aguarda sinais sobre o futuro da política monetária, especialmente diante da inflação ainda acima da meta.
Europa em alta generalizada
Os mercados europeus operam em alta generalizada, contrariando a tendência negativa estabelecida pelos índices asiáticos. Investidores aguardam a divulgação da confiança do consumidor na França. O índice STOXX 600 sobe 0,07%, o DAX alemão avança 0,32%, o FTSE 100 britânico tem alta de 0,02%, o CAC 40 francés ganha 0,16%, enquanto o FTSE MIB italiano recua 0,03%. A queda dos rendimentos dos títulos europeus e a redução dos preços do petróleo aliviam as preocupações com a inflação.
Ásia-Pacífico fecha no vermelho
Os mercados da Ásia-Pacífico fecharam no vermelho, pressionados pela queda das ações de semicondutores. O setor foi afetado pela combinação entre o avanço da concorrência chinesa e as crescentes dúvidas sobre o financiamento e a sustentabilidade do ciclo de investimentos em infraestrutura para inteligência artificial. O Shanghai SE caiu 1,16%, o Nikkei japonês despencou 3,95%, o Hang Seng de Hong Kong subiu 0,41%, o Nifty 50 indiano ficou praticamente estável com +0,03%, e o ASX 200 australiano avançou 0,60%.
Commodities em baixa
Os preços do petróleo operam em baixa, ampliando as perdas da véspera, após uma pausa nos combates entre os EUA e o Irã, o que aumentou as esperanças de uma desescalada no conflito do Oriente Médio. O petróleo WTI cai 2,61%, a US$ 80,45 o barril, e o Brent recua 3,81%, a US$ 85,55 o barril. As cotações do minério de ferro em Dalian caíram pela terceira sessão consecutiva, com as siderúrgicas na China permanecendo fechadas para manutenção após receberem notificações de restrição de produção, embora uma retração nos embarques globais tenha limitado as perdas. O minério de ferro negociado na bolsa de Dalian cai 0,20%, a 741,00 iuanes (US$ 109,52).
Bitcoin recua
O Bitcoin (BTC) opera em queda de 2,35%, cotado a US$ 63.384,16 em relação à cotação de 24 horas atrás. A criptomoeda acompanha o movimento de aversão ao risco nos mercados globais, influenciada pela pressão sobre ativos de tecnologia e pela expectativa com a decisão do Fed.



