Fed mantém juros nos EUA em julho pela sétima vez seguida
Fed mantém juros nos EUA pela sétima vez

O Federal Reserve (Fed) decidiu manter a taxa básica de juros dos Estados Unidos no patamar de 5,25% a 5,50% pela sétima reunião consecutiva, conforme anunciado nesta quarta-feira, 29 de julho de 2026. A decisão unânime do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) reflete a continuidade da estratégia de aperto monetário para conter a inflação, que ainda se mantém acima da meta de 2% ao ano.

Contexto da decisão

O comunicado do Fed destacou que a atividade econômica continua a se expandir em ritmo sólido, com o mercado de trabalho permanecendo apertado. A taxa de desemprego, em 3,8%, está próxima dos mínimos históricos. No entanto, a inflação ao consumidor, medida pelo índice PCE, recuou para 3,2% em junho, ainda distante do objetivo de 2%.

Em coletiva de imprensa, o presidente do Fed, Jerome Powell, afirmou que "a inflação mostrou algum progresso nos últimos meses, mas ainda não estamos confiantes o suficiente para considerar cortes de juros. Precisamos ver mais evidências de que a inflação está caminhando de forma sustentável para 2%." A declaração reitera a postura cautelosa da autoridade monetária.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Impactos nos mercados

Após o anúncio, o dólar apresentou leve queda frente a moedas emergentes, enquanto as bolsas de Nova York fecharam em alta moderada. O rendimento dos títulos do Tesouro americano de 10 anos recuou para 4,12%, refletindo a expectativa de que os juros permanecerão elevados por mais tempo.

Para o Brasil, a manutenção dos juros americanos em patamar elevado mantém a pressão sobre o real e pode influenciar as decisões do Banco Central brasileiro, que também lida com inflação acima da meta. Analistas projetam que o Copom deve manter a Selic em 10,50% na reunião da próxima semana.

Perspectivas futuras

O mercado está dividido sobre os próximos passos do Fed. Enquanto alguns economistas apostam em um primeiro corte de juros em setembro, outros acreditam que o Fed só iniciará o ciclo de afrouxamento em novembro, após as eleições presidenciais americanas. Powell evitou dar pistas sobre o calendário, afirmando que "as decisões serão tomadas reunião por reunião, com base nos dados."

Dentre os riscos mencionados pelo Fomc estão a resiliência do consumo e a persistência da inflação de serviços. O Fed revisou levemente para cima sua projeção de inflação para 2026, para 2,6%, e manteve a previsão de crescimento do PIB em 2,1%.

Reações internacionais

Bancos centrais de outros países acompanham com atenção a postura do Fed. O Banco Central Europeu (BCE) também deve manter as taxas inalteradas em sua próxima reunião, enquanto o Banco do Japão sinalizou possível alta gradual. A coordenada global de juros elevados tende a restringir as condições financeiras e desacelerar a economia mundial.

Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), a manutenção de juros altos nos EUA pode reduzir o crescimento global em 0,2 ponto percentual em 2026, afetando especialmente economias endividadas.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar