Os 27 países da União Europeia concederam quase 1,2 milhão de cidadanias em 2024 a imigrantes residentes no bloco, um aumento de 11,6% em relação a 2023 e o maior número já registrado. Os dados, divulgados pelo Eurostat no fim de março, mostram uma alta de 54,5% na última década.
O crescimento é impulsionado por movimentos migratórios motivados por conflitos, guerras e crises econômicas em países como Síria, Ucrânia e Venezuela. Alemanha (24,5%), Espanha (21,4%) e Itália (18,5%) foram os países que mais concederam cidadanias. Os principais países de origem dos novos cidadãos foram Síria (9,3%), Marrocos (8,2%) e Albânia (4,1%).
O Brasil aparece como o décimo país de origem, com 30 mil aquisições — alta de 4% em relação a 2023. Os brasileiros foram beneficiados principalmente pela Itália (36,8%), Portugal (23,9%) e Espanha (17,7%). Os dados consideram apenas cidadanias obtidas por residentes no bloco, excluindo pedidos consulares ou judiciais feitos do Brasil.
A Alemanha liderou o aumento, com 288,7 mil cidadanias concedidas, alta de 44% em relação a 2023. Sírios (83,2 mil) e turcos (22,5 mil) foram os grupos mais beneficiados. O país aprovou uma reforma em 2024 que reduziu o tempo de residência exigido de oito para cinco anos e permitiu dupla cidadania, mas especialistas apontam que o recorde reflete principalmente a permanência de refugiados sírios da crise de 2015.
Na Espanha, as cidadanias foram concedidas principalmente a marroquinos (42,9 mil) e venezuelanos (35,4 mil). A Venezuela teve alta de 269% no número de cidadanias desde 2022, com 94,5% delas obtidas na Espanha, reflexo da crise interna. Na Itália, albaneses (31,6 mil) e marroquinos (27,6 mil) foram os mais beneficiados, enquanto brasileiros foram o sexto maior grupo, com 11,1 mil cidadanias, a maioria por direito de sangue.



