EUA propõem tarifas de 25% ao Brasil; imprensa internacional repercute
EUA propõem tarifas de 25% ao Brasil; imprensa repercute

O governo dos Estados Unidos propôs tarifas retaliatórias de 25% sobre produtos brasileiros, após concluir uma grande investigação comercial contra o Brasil. A medida repercutiu na imprensa internacional, destacando as práticas brasileiras consideradas 'irrazoáveis' pelo governo americano, que incluem o sistema de pagamentos Pix, a comercialização de etanol, o combate à corrupção, a propriedade intelectual e o desmatamento na Amazônia.

Reação da imprensa internacional

O jornal britânico The Guardian ressaltou que os EUA propõem tarifas apesar de terem superávit comercial com o Brasil. Segundo o jornal, as exportações americanas para o Brasil cresceram quase 11% em 2025, atingindo US$ 54,4 bilhões, enquanto as exportações brasileiras para os EUA caíram 5,7%, para US$ 39,9 bilhões, gerando um superávit de mais de US$ 14 bilhões para os EUA. O desequilíbrio no setor de serviços é ainda maior, com exportações americanas de serviços previstas em US$ 29,6 bilhões em 2024, quatro vezes o valor das exportações brasileiras.

O Guardian também destacou as críticas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à presidência. A publicação lembrou que, em fevereiro, a Suprema Corte dos EUA decidiu que Trump excedeu sua autoridade ao usar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA) para impor tarifas abrangentes. Agora, a Seção 301 da Lei de Comércio de 1974 é usada, que é mais resistente a contestações judiciais.

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Novo instrumento tarifário

O New York Times destacou que a Seção 301 é um instrumento mais duradouro para manter tarifas, mas exige investigações específicas para cada país, consultas e audiências antes da implementação. O jornal também informou que as tarifas propostas isentam produtos como carne bovina, café, metais de terras raras, equipamentos aeronáuticos e algumas frutas e vegetais.

A rede Al Jazeera, do Catar, lembrou que China e Vietnã também estão sob investigação, e que as mudanças ocorrem apesar da visita de Lula a Washington no mês passado, em meio à deterioração das relações bilaterais.

Críticas de Lula e reação do mercado

O jornal argentino Clarín destacou em seu título as críticas de Lula a Flávio e Eduardo Bolsonaro, acusando-os de 'traidores'. O jornal afirmou que, embora os mercados tenham reagido com indiferença, Lula, em tom eleitoral, acusou os filhos de Jair Bolsonaro de estarem por trás das tarifas. Bolsonaro negou ter solicitado a imposição. Analistas minimizaram o impacto, considerando a isenção de muitos produtos.

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