EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros; dólar sobe
EUA confirmam tarifa de 25% sobre produtos brasileiros (17.07.2026)

O governo dos Estados Unidos confirmou, na noite de quarta-feira (15), a aplicação de uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, com uma extensa lista de itens isentos. A medida entra em vigor em 22 de julho. A decisão é resultado de uma investigação comercial do Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países.

Reação do governo brasileiro e impacto no câmbio

O dólar abriu a sessão desta sexta-feira (17) em alta, com um avanço de 0,25% perto das 9h, cotado a R$ 5,1109. As negociações do Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, começam às 10h. Investidores continuam a avaliar os possíveis efeitos das novas tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. Além da taxa de 25% anunciada na quarta-feira, o governo brasileiro reconhece que os EUA ainda devem aplicar uma tarifa adicional de 12,5% por falha em proibir e fiscalizar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado.

Em entrevista a jornalistas na véspera, o ministro das Relações Exteriores, chanceler Mauro Vieira, afirmou que não há justificativa para as tarifas adicionais de 25%, reiterando que as taxas tiveram "motivação política" e "não têm lastro com a realidade". "As investigações da Seção 301 são procedimentos unilaterais do governo dos Estados Unidos e não há justificativa para adoção de tarifas contra os produtos brasileiros. Desde março de 2025, o governo brasileiro manteve mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou por telefone nos níveis presidencial, ministerial e técnico com autoridades norte-americanas", afirmou Vieira.

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Lei da Reciprocidade e lista de produtos isentos

O governo brasileiro também divulgou uma nota contestando os argumentos dos EUA para aplicar o novo tarifaço, destacando que o presidente Lula (PT) iniciará "imediatamente" os trâmites previstos na Lei da Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado. No processo, o governo de Donald Trump afirma que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os EUA, citando temas como o sistema de pagamentos PIX, o acesso ao comércio de etanol, o desmatamento ilegal e a pirataria. Mesmo com as acusações, itens como petróleo, café, carne bovina, aeronaves e celulose ficaram fora da nova cobrança. A lista inclui produtos considerados sensíveis para a economia americana, seja pelo potencial impacto sobre preços, seja pela ausência de produção doméstica suficiente. Segundo o USTR, o governo Trump tentou negociar com o Brasil ao longo do último ano, mas não obteve sucesso em derrubar as práticas que considera injustas.

Escalada das tensões no Oriente Médio

O Irã lançou bombardeios contra diversas bases dos EUA no Oriente Médio nesta sexta (17) após acusar Washington de atacar alvos civis. Países da região denunciaram ataques iranianos. "Na noite passada, o exército dos EUA voltou a agir, utilizando suas bases na Jordânia para realizar, segundo o comunicado, um grande crime de guerra, atacando alvos civis, incluindo várias pontes, áreas residenciais e uma estação de bombeamento de água em Bandar Abbas, no sul do Irã", afirmou a Guarda Revolucionária iraniana em comunicado. O embaixador do Irã na ONU, Amir Saeid Iravani, condenou nesta sexta os ataques dos EUA contra a infraestrutura civil iraniana e voltou a acusar Washington de cometer crimes de guerra.

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Impacto no mercado de petróleo

Perto das 9h, o barril do Brent, referência internacional, subia 1,82%, cotado a US$ 85,76. Já o West Texas Intermediate (WTI), dos EUA, tinha alta de 2,20%, cotado a US$ 80,69 por barril. A escalada das tensões no Oriente Médio nos últimos dias volta a trazer preocupações sobre a oferta mundial de petróleo, principalmente por conta do tráfego limitado no Estreito de Ormuz. Nesta quinta-feira, o Irã afirmou que o canal é uma "linha vermelha" inviolável e alertou que caso Trump cumpra sua ameaça de atacar a infraestrutura iraniana, o país retaliará contra toda a infraestrutura na região do Golfo. Com o bloqueio dos EUA no Estreito de Ormuz, dados do setor de transporte marítimo já mostraram que menos navios conseguiram atravessar o estreito. Não foram avistados petroleiros de grande porte nem navios-tanque de gás natural liquefeito (GNL).

Bolsas globais e indicadores econômicos

Na Ásia, a maioria das ações da região fechou em queda, puxadas pelo fraco desempenho dos papéis de fabricantes de semicondutores. O CSI 300, que reúne as maiores companhidas listadas em Xangai e Shenzen, caiu 1,85%, enquanto o índice composto de Xangai, o SSEC, teve queda de 2,03%. Entre as demais bolsas da região, no entanto, o dia foi mais positivo. O Hang Seng, de Hong Kong, subiu 1,33%, enquanto o Nikkei, do Japão, teve perdas de 2,79% e o Kospi, da Coreia do Sul, teve uma desvalorização de 6,37%. Na agenda econômica, o mercado também acompanha a divulgação de novos dados de atividade no Brasil, por meio do IBC-Br, indicador do Banco Central do Brasil. Nos EUA, o destaque fica com a produção industrial do país. *Com informações da agência de notícias Reuters.