O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva está desenvolvendo uma estratégia para lidar com o novo tarifaço imposto pelos Estados Unidos, que prevê taxas de 25% e 12,5% sobre produtos brasileiros. A avaliação interna é que há mais chances de reverter a tarifa de 25% por meio de negociações diretas, enquanto a alíquota de 12,5% é considerada mais difícil de ser removida, pois atinge diversos países simultaneamente.
Medidas baseadas na Seção 301
As tarifas foram propostas com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA, instrumento que permite ao governo americano impor sanções comerciais contra práticas consideradas desleais. A agência de comércio do governo Trump recomendou as duas alíquotas, que ainda passarão por um período de consulta pública antes de entrarem em vigor. Esse processo deve se estender até o próximo mês, o que dá ao Brasil uma janela para tentar reverter as medidas.
Estratégia brasileira
O governo Lula aposta em uma combinação de diplomacia e argumentos técnicos para convencer as autoridades americanas a reduzirem ou eliminarem a tarifa de 25%. Entre os pontos levantados estão o impacto negativo para as cadeias produtivas dos dois países e o risco de retaliação comercial. Já em relação à tarifa de 12,5%, a avaliação é que a negociação é mais complexa, pois a medida é aplicada a um grupo maior de nações, o que dilui o poder de barganha individual do Brasil.
Próximos passos
A consulta pública será um momento crucial para o Brasil apresentar seus argumentos. O governo pretende mobilizar setores produtivos afetados, como o agronegócio e a indústria, para que também enviem contribuições. A expectativa é que a decisão final sobre as tarifas ocorra apenas após o término desse processo, previsto para o início de maio. Enquanto isso, a equipe econômica brasileira mantém contato com representantes do governo americano para tentar avançar em acordos bilaterais.
O tarifaço representa mais um capítulo na relação tensa entre os presidentes Donald Trump e Lula, que já tiveram divergências públicas em fóruns internacionais. O Brasil, no entanto, busca evitar uma escalada comercial que possa prejudicar as exportações nacionais para um dos principais mercados do mundo.



