Dólar recua com alívio de tensões globais e investidores desconsideram tarifas norte-americanas
O dólar comercial encerrou a sessão desta terça-feira (2) em queda, refletindo um ambiente de menor aversão ao risco nos mercados globais. A moeda norte-americana caiu 0,68%, cotada a R$ 5,12, em meio a um alívio nas tensões geopolíticas que têm dominado o noticiário internacional nas últimas semanas.
Cenário internacional favorece moedas emergentes
O movimento de baixa do dólar foi impulsionado por uma combinação de fatores, incluindo a expectativa de um cessar-fogo entre Rússia e Ucrânia e a desaceleração do conflito no Oriente Médio. Esses eventos reduziram a demanda por ativos de segurança, como o dólar, e favoreceram moedas de países emergentes, incluindo o real brasileiro.
Além disso, dados econômicos positivos nos Estados Unidos, como a queda nos pedidos de auxílio-desemprego, contribuíram para um apetite maior por risco, levando investidores a buscar ativos mais rentáveis em economias como a brasileira.
Tarifas dos EUA são ignoradas pelo mercado
Apesar do anúncio de novas tarifas comerciais dos Estados Unidos contra produtos brasileiros, o mercado financeiro optou por ignorar a medida, considerando-a de baixo impacto para a economia doméstica. As tarifas, que incidem sobre aço e alumínio, foram vistas como parte de uma disputa comercial pontual e não como uma escalada significativa nas relações bilaterais.
Analistas ouvidos pela reportagem destacam que o Brasil possui uma pauta exportadora diversificada e que as tarifas afetam apenas uma parcela pequena do comércio bilateral. Dessa forma, o impacto cambial das tarifas foi limitado, com o dólar recuando mesmo diante do anúncio.
Expectativas para o cenário doméstico
No Brasil, os investidores aguardam a divulgação de indicadores econômicos importantes, como o Índice de Atividade Econômica (IBC-Br) e dados de inflação, que podem influenciar as próximas decisões do Banco Central sobre a taxa Selic. A expectativa de manutenção dos juros elevados tem atraído capital estrangeiro, contribuindo para a valorização do real frente ao dólar.
Para os próximos dias, a trajetória da moeda norte-americana dependerá do desenrolar dos eventos geopolíticos e da sinalização de política monetária nos Estados Unidos e no Brasil. Se o alívio nas tensões internacionais se mantiver, o dólar pode continuar perdendo força, mas a cautela ainda predomina entre os agentes financeiros.



