O principal risco para a economia brasileira no segundo semestre é o câmbio, segundo Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora. “O dólar tende a se sobrepor aos riscos fiscais e eleitorais, em meio a juros elevados no Brasil e incertezas nos Estados Unidos”, afirmou Gardimam.
Alívio geopolítico, mas dólar sobe
Nesta segunda-feira, o Ibovespa fechou em alta de 0,74%, aos 175.334,46 pontos, com o alívio nas tensões entre Estados Unidos e Irã. O governo americano interrompeu os ataques aéreos contra o Irã, abrindo espaço para negociações diplomáticas. O presidente Donald Trump afirmou que o Irã solicitou uma reunião. Com isso, o petróleo caiu: WTI -7,50% (US$ 82,61) e Brent -6,33% (US$ 85,87).
“Embora ainda não exista um cessar-fogo formal, a pausa nas hostilidades aumentou as expectativas de uma solução diplomática, reduzindo temporariamente o prêmio de risco”, afirmou Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil.
No entanto, o dólar à vista fechou em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,1122. Para Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, “o alívio geopolítico reduziu o prêmio de risco globalmente, mas no Brasil também tirou um suporte importante que a commodity vinha dando ao real”.
Semana decisiva com Fed e balanços
A semana promete decisões de política monetária do Federal Reserve e do Banco da Inglaterra, além de balanços de Apple, Microsoft, Amazon e Meta, e negociações EUA-Irã. Em Nova York, S&P 500 e Dow Jones subiram 0,02% e 0,51%, enquanto Nasdaq caiu 0,18%, com novas perdas de ações de chips (Nvidia -4,99%, AMD -5,2%, Micron -2,3%).
Maiores altas do Ibovespa
As ações que mais subiram foram MBRF (MBRF3) +7,08% (R$ 15,89), Totvs (TOTS3) +6,95% (R$ 29,38) e CSN (CSNA3) +6,53% (R$ 5,71). O Itaú BBA destacou que a MBRF deve ter o melhor desempenho relativo no setor de alimentos no 2º trimestre, beneficiada pelo mercado de frango no Brasil e demanda do Oriente Médio.
Maiores quedas do Ibovespa
Na ponta negativa, as petroleiras lideraram: Prio (PRIO3) -5,29% (R$ 55,71), Petrorecôncavo (RECV3) -3,31% (R$ 10,24) e Petrobras (PETR3) -3,15% (R$ 46,05), impactadas pelo tombo do petróleo.
O giro financeiro da B3 foi de R$ 19,4 bilhões. Apesar do alívio externo, o dólar segue como a principal preocupação para os próximos meses, na visão do economista-chefe da Ágora.



