O dólar acelerou a queda nesta quinta-feira após a divulgação do relatório de emprego dos Estados Unidos (Payroll), que mostrou a criação de apenas 57 mil vagas de trabalho em junho, número bem abaixo das expectativas do mercado. O resultado decepcionante reforçou apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode adotar uma postura mais cautelosa em relação aos juros, enfraquecendo a moeda americana globalmente.
Payroll fraco e reação dos mercados
O Payroll de junho veio muito aquém do consenso, que previa cerca de 180 mil novas vagas. Além disso, os dados dos meses anteriores foram revisados para baixo. O setor de serviços foi o principal responsável pela desaceleração, enquanto a indústria e a construção civil também mostraram sinais de arrefecimento. A taxa de desemprego, por sua vez, subiu ligeiramente para 4,1%, ante 4,0% em maio.
Com o dado mais fraco, o dólar comercial acelerou a queda frente ao real, operando abaixo de R$ 5,40 no período da tarde. O movimento foi acompanhado por uma leve alta do Ibovespa, que tentava se recuperar das perdas recentes. Investidores reagiram positivamente à perspectiva de que o Fed possa interromper o ciclo de alta de juros, o que beneficiaria ativos de risco emergentes.
Ibovespa e outros destaques
O Ibovespa operava em alta moderada, impulsionado por ações de empresas domésticas sensíveis à taxa de juros, como varejistas e construtoras. No entanto, o volume de negócios ainda era baixo, refletindo a cautela dos investidores antes de novos indicadores econômicos.
No cenário corporativo, o Itaú (ITUB4) venceu licitação para gestão da folha de pagamentos do estado de Minas Gerais, um contrato de grande porte que deve gerar receitas recorrentes. Já a Whirlpool anunciou o fechamento de uma fábrica no México como parte de seu plano de reestruturação global, sem impacto direto nas operações brasileiras.
O mercado de FIIs também teve movimentação: um fundo imobiliário suspendeu o pagamento de dividendos e despencou 14,7%, acumulando perda de R$ 369 milhões em valor de mercado. A notícia acendeu alerta entre investidores do setor.
Perspectivas para os próximos dias
Com o Payroll fraco, o mercado passa a monitorar com mais atenção os próximos discursos de membros do Fed, em busca de sinais sobre os rumos da política monetária. No Brasil, a agenda de indicadores inclui dados de inflação e atividade econômica, que podem influenciar as expectativas para a Selic.
Apesar dos percalços, analistas apontam motivos para otimismo com as ações brasileiras, como a melhora gradual do mercado de trabalho e a desaceleração da inflação. Contudo, o cenário externo ainda impõe riscos, especialmente com a guerra na Ucrânia e as tensões no Oriente Médio.



