O mercado financeiro brasileiro iniciou a semana com o Ibovespa em alta, impulsionado pelo alívio no exterior e apesar das tensões políticas entre Brasil e Estados Unidos. A Bolsa subiu e passou a acumular ganho na semana, recuperando parte das perdas recentes.
Desemprego recua e juros sobem
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou que a taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% em junho, o menor patamar para o mês desde 2014. O número veio abaixo das expectativas do mercado, que projetava 5,6%. Apesar da melhora no mercado de trabalho, a taxa de juros média para pessoa física subiu para 64% ao ano em junho, segundo dados do Banco Central. O rotativo do cartão de crédito liderou as altas, com taxas superiores a 400% ao ano. Para o economista-chefe da XP, Caio Megale, os juros elevados seguram o consumo e travam uma queda mais rápida da Selic.
Governo Lula repudia emergência dos EUA
O governo brasileiro emitiu nota oficial repudiando a decisão do presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, de prorrogar a declaração de emergência nacional sobre o Brasil, que trata de supostas interferências na democracia. O Ministério das Relações Exteriores classificou a medida como 'descabida' e afirmou que não há fundamentos para a alegação. A declaração de emergência, originalmente emitida em 2018, foi renovada por mais um ano. A tensão entre os dois países aumentou após declarações do ex-presidente Jair Bolsonaro e investigações em curso.
Tesouro IPCA+ atinge recorde
As taxas dos títulos do Tesouro IPCA+ subiram para até 8,27% ao ano, o maior nível da série histórica, após a decisão do Federal Reserve (Fed) de manter os juros nos Estados Unidos. A alta reflete a percepção de risco fiscal no Brasil e a expectativa de que a Selic permaneça elevada por mais tempo. Para o investidor, a rentabilidade real (acima da inflação) tornou-se muito atrativa, mas há o risco de marcação a mercado.
Ibovespa sobe com exterior calmo
O Ibovespa fechou em alta de 0,8% nesta segunda-feira, aos 119.400 pontos, impulsionado pelo setor de tecnologia e por ações de empresas como Intelbras, que saltou 11% após balanço do 2º trimestre. O mercado também repercutiu o PIB forte na Europa e a estabilidade dos juros na região. As ações da Ambev caíram 2% após frustrar projeções de lucro, apesar do resultado forte.
Crédito privado sob tensão
O mercado de crédito privado brasileiro vive um momento de cautela, com a alta dos juros elevando a inadimplência, que segue em patamar recorde, mesmo com as renegociações do programa Desenrola 2.0. Segundo a Boa Vista, a inadimplência do aluguel recuou, mas pequenos negócios continuam sob pressão. Para o colunista Guilherme Viveiros, a nova tensão no crédito privado exige atenção dos investidores.
Negócios e tecnologia
No cenário internacional, a BMW prometeu 'rever o intocável' após o lucro despencar, segundo agências. A Samsung prevê que a escassez de chips se estenderá até 2028 e anunciou novos acordos de fornecimento. A Amazon recebeu sinal verde nos Estados Unidos para operar 2,5 mil táxis-robôs por ano, impulsionando o setor de veículos autônomos. Já no Brasil, a Receita Federal realiza leilão eletrônico com iPhones, notebooks e carros com descontos.
Investimentos: onde colocar o dinheiro
Com os juros altos, analistas recomendam cautela no crédito, mas apontam oportunidades em CDBs, LCIs e LCAs com taxas atraentes. Os Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) de 'papel' tiveram retorno de até 17% em um ano, mas a Selic elevada pode mudar o cenário. A MAG Investimentos atingiu R$ 25 bilhões sob gestão com nova estratégia de crédito. O FII PMLL11 concluiu a venda do Shopping Park Sul por R$ 160,8 milhões.



