A economia dos Estados Unidos gerou 57 mil postos de trabalho fora do setor agrícola em junho, número bem inferior à expectativa de 110 mil de economistas consultados pela Reuters. O dado de maio foi revisado para baixo, de 172 mil para 129 mil vagas. Apesar da desaceleração, a taxa de desemprego caiu de 4,3% para 4,2%, sinalizando resiliência no mercado de trabalho.
Revisão para baixo e expectativas frustradas
O Escritório de Estatísticas do Trabalho do Departamento do Trabalho divulgou o relatório nesta quinta-feira, um dia antes do habitual devido ao feriado de 4 de julho, que marca os 250 anos da independência americana. As estimativas dos analistas variavam de 25 mil a 200 mil vagas. O ritmo mais moderado de contratações é visto como uma correção após três meses consecutivos de ganhos fortes e não necessariamente indica uma mudança significativa nas condições do mercado de trabalho.
Taxa de desemprego em queda e demissões baixas
A taxa de desemprego recuou para 4,2% em junho, ante 4,3% em maio. Economistas apontam que o nível historicamente baixo de demissões sustenta a criação de vagas, mesmo diante de incertezas como tarifas comerciais e tensões geopolíticas. As empresas relutam em demitir funcionários após dificuldades para contratar mão de obra no pós-pandemia.
O relatório de emprego pode estar se alinhando a outras pesquisas, como os planos de contratação de pequenas empresas, que indicam um mercado menos aquecido. A chamada taxa de equilíbrio – número de empregos necessários para acompanhar o crescimento populacional – caiu para entre zero e 50 mil vagas mensais, devido à redução da força de trabalho provocada pela repressão à imigração.
Impacto nas expectativas de juros do Fed
Antes do relatório, os mercados financeiros estimavam 50,7% de chance de o Federal Reserve elevar os juros na reunião de 15 e 16 de setembro, segundo a ferramenta FedWatch do CME Group. O banco central manteve a taxa básica na faixa de 3,50% a 3,75% no mês passado, mas suas projeções indicam possibilidade de alta ainda este ano. Com a desaceleração do emprego, alguns economistas acreditam que os riscos de aperto diminuíram.



