O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou a criação líquida de 145.161 novos empregos formais em junho de 2026, superando amplamente o consenso do mercado, que projetava entre 110 mil e 115 mil vagas. Com esse resultado, o saldo acumulado nos últimos doze meses atingiu aproximadamente 964 mil postos, elevando o estoque total de vínculos celetistas no país para 48 milhões de trabalhadores.
Distribuição regional e setorial
A geração de empregos foi difundida pelo território nacional, com 25 das 27 unidades da federação registrando saldo positivo. São Paulo liderou, respondendo sozinho por 35 mil novas vagas. O setor de serviços foi o principal motor, com criação líquida de 74,5 mil postos, segundo o economista Leonardo Costa, do ASA. Além dos serviços, os setores de agropecuária, comércio, indústria e construção civil também contribuíram para o saldo positivo.
O economista destaca que a rápida recuperação do nível de emprego foi impulsionada pelo setor terciário. “A intensificação das contratações em serviços foi o grande destaque do mês”, afirma Costa.
Construção civil e eleições
A construção civil foi o único setor com crescimento acumulado de vagas em 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior, conforme relatório da 4Intelligence. Esse movimento é explicado pela aceleração das contratações voltadas para obras de infraestrutura típicas de anos eleitorais. O setor respondeu por 38% dos novos postos na construção civil no primeiro semestre.
Recorde de desligamentos voluntários
Os dados do Caged também revelam um forte aquecimento do mercado, com 760 mil desligamentos a pedido do trabalhador em junho. Esse volume elevou o índice de demissões voluntárias acumuladas em doze meses para 9,2 milhões, a maior marca da série histórica. Para a 4Intelligence, esse aumento evidencia que os brasileiros estão encontrando melhores ofertas e migrando proativamente para empresas que oferecem condições mais vantajosas.
Salário médio em alta
O salário médio real de contratação atingiu R$ 2.404, mantendo uma dinâmica favorável e compatível com a inflação de serviços. Essa resiliência dos rendimentos contribui para o aumento da confiança dos trabalhadores.
Perspectivas de arrefecimento
Apesar do vigor pontual, analistas projetam um arrefecimento no segundo semestre. Rodolfo Margato, economista da XP, aponta que as incertezas sobre a política econômica pós-2027 e os debates no Congresso sobre a jornada de trabalho, como o fim da escala 6×1, devem levar as empresas a adotar cautela. “Atividades como serviços de alimentação, hospedagem e serviços domésticos já operam estranguladas pela escassez de mão de obra”, alerta Margato.
A expectativa do mercado financeiro é de desaceleração, mas não contração. “Como esperado, existem sinais de desaceleração (não de contração) no mercado de trabalho”, afirma Margato, que projeta ritmo menor de abertura de vagas devido à política monetária contracionista e ao esgotamento de estímulos governamentais. Leonardo Costa compartilha a visão de acomodação moderada, indicando que os indicadores antecedentes já mostram fadiga estrutural.
Previsão de um milhão de empregos em 2026
Consultorias como a 4Intelligence projetam a abertura de um milhão de novos empregos formais no fechamento de 2026, com base em uma expectativa de crescimento do PIB de apenas 2% no ano. O saldo acumulado até junho já representa 96,4% dessa meta.



