A Braskem (BRKM5) teve a pior semana entre as ações do Ibovespa, acumulando perda de 16,67%. A petroquímica obteve na Justiça uma tutela cautelar que a protege temporariamente de cobranças de credores financeiros por 60 dias, enquanto busca negociar uma reestruturação extrajudicial.
Pedido de tutela cautelar aprovado pela Justiça
O pedido foi apresentado na quinta-feira (25) e aprovado na sexta-feira (26). A medida cria um escudo protetor emergencial, impedindo que credores financeiros cobrem dívidas vincendas ou bloqueiem bens da companhia durante o período. De um lado, a Braskem ganha tempo para tentar um acordo extrajudicial; do outro, os credores ficam impossibilitados de ações judiciais.
Junto com o pedido, a empresa divulgou uma proposta de reorganização de capital, incluindo o alongamento por cinco anos do vencimento de títulos de dívida externa e redução de 2 pontos percentuais na taxa de juros. A proposta não foi aceita pelos credores. Paralelamente, foi instaurado um procedimento de mediação na Câmara Wind de Mediação, instituição privada especializada em conflitos empresariais.
Segundo o BB Investimentos, a mediação deve facilitar o diálogo e alinhar expectativas sem medidas mais drásticas. “Tal mediação funciona como um facilitador independente que coordena as discussões entre as partes”, explica o BB.
Situação financeira complexa e vencimentos próximos
A dívida bruta da Braskem era de US$ 9,4 bilhões (R$ 48,6 bilhões) no fim do primeiro trimestre, sendo 91% em moeda estrangeira. A alavancagem atingiu 16,81 vezes (dívida líquida sobre geração de caixa dos últimos 12 meses). A empresa tem vencimentos iminentes: US$ 141 milhões em juros de cinco bonds em julho e US$ 36 milhões em agosto.
Diante disso, a proteção contra credores tornou-se o caminho mais seguro para preservar caixa e ganhar tempo de negociação. As recomendações dos grandes bancos para BRKM5 dividem-se entre venda e neutra, com sinais frequentes de cautela.
Citi rebaixa recomendação para venda
O Citi rebaixou na quinta-feira (25) a recomendação de neutra para venda, mantendo avaliação de alto risco. O preço-alvo foi reduzido de R$ 11,50 para R$ 4,50 por ação, devido à piora dos spreads petroquímicos e ao aumento dos riscos específicos da companhia. A tese anterior, baseada em recuperação cíclica e solução do controle acionário, deixou de ser sustentável com a deterioração dos fundamentos de curto prazo.
Ágora e BBI têm preço-alvo ainda menor
Ágora Investimentos e Bradesco BBI também recomendam venda, com preço-alvo de R$ 4, abaixo do Citi. Atualmente, as ações negociam a R$ 6,25. Em relatório, os analistas Vicente Falanga (BBI) e Ricardo França (Ágora) afirmam que a petroquímica enfrenta dificuldades para obter apoio ao plano de reestruturação. “Com vencimentos se aproximando, aumenta a probabilidade de o processo avançar para uma recuperação judicial”, dizem.
No mercado, a recuperação extrajudicial é vista como alternativa melhor que a judicial, considerada mais complexa e sujeita a disputas.
BTG Pactual e BB Investimentos: cautela e expectativas
O BTG Pactual mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 9. Acredita que a tutela cautelar dá mais tempo para negociação, mas não resolve os problemas de liquidez e estrutura de capital. “Com a concessão da medida protetiva, a empresa poderá trabalhar na negociação de um acordo com os credores que pode culminar em uma recuperação extrajudicial ou em uma recuperação judicial, caso não seja possível chegar a um consenso”, afirma.
O BB Investimentos projeta preço-alvo de R$ 14, com recomendação neutra, mas reforça cautela. Para o banco, a Braskem busca evitar uma reestruturação mais dramática ao restringir a tutela a credores financeiros, mantendo a normalidade operacional. O próximo passo mais provável é a evolução para uma recuperação extrajudicial, mas a volatilidade deve permanecer elevada até clareza sobre os termos do acordo e o potencial impacto de diluição aos acionistas. O BB já havia recomendado venda ao longo de 2025.
UBS vê risco de diluição para minoritários
O UBS mantém recomendação neutra e preço-alvo de R$ 10,5. A empresa informou aos credores que, sem suspensão dos vencimentos, chegaria em dezembro com caixa negativo de US$ 821 milhões. Na projeção sem esses pagamentos, teria US$ 1,52 bilhão disponível. O banco vê risco de diluição para acionistas minoritários em um eventual acordo, mas espera uma solução que leve a uma perspectiva mais construtiva no médio e longo prazo, embora com elevadas incertezas.



