A brasileira Michele Patrícia Vieira, de 39 anos, foi detida pelo Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos (ICE) em Orlando, Flórida, enquanto seu pedido de asilo estava em andamento. Durante duas semanas, ela relatou ter sofrido abuso psicológico e maus-tratos, incluindo privação de banho e alimentação com pão embolorado.
Michele saiu de Sorocaba (SP) há quatro anos com o marido e os dois filhos, de sete e 21 anos, em busca de segurança após ameaças no Brasil. No dia 5 de fevereiro, foi abordada por agentes do ICE enquanto dirigia para o trabalho, após deixar a filha na escola. Os agentes alegaram que seu pedido de asilo pendente não era considerado válido.
Ela foi levada algemada para a sede do ICE, onde ficou três dias, e depois para uma cadeia por mais três dias. Em seguida, foi transferida para uma unidade em Jacksonville, exclusiva para presos por imigração, onde permaneceu oito dias. Durante todo o período, esteve algemada na cintura, braços e pés, inclusive para dormir e comer.
Michele afirmou que os agentes pressionavam diariamente para que ela assinasse um documento autorizando sua deportação. Ela foi a única entre 13 detidos no mesmo dia que recusou assinar. Após pagar fiança de US$ 6.500, foi liberada em 17 de fevereiro. A família criou uma campanha online para arcar com os custos legais.



