A Justiça encerrou nesta quarta-feira (8) a fase de coleta de provas e depoimentos no processo contra o tenente-coronel Geraldo Rosa Neto, acusado de matar a esposa, a também policial militar Gisele Alves Santana, em fevereiro deste ano. O SP2 teve acesso aos vídeos com os depoimentos das testemunhas de acusação. Bombeiro e policiais militares relataram detalhes que chamaram atenção durante a investigação.
Desabafos sobre violência doméstica
Uma das testemunhas foi a sargento Damiana Alves da Silva, que trabalhava ao lado de Gisele e ouvia os desabafos da amiga sobre a violência do marido. Durante o depoimento, ela foi questionada se Gisele havia dito que acreditava que o marido teria coragem de matá-la. "Nós estávamos na copa e ela perguntou pra mim se eu acreditava que ele teria coragem de matá-la e eu disse que eu acreditava!", afirmou a sargento. Damiana também falou sobre o comportamento de Geraldo Rosa Neto: "Falei, Gi, antes dele ser major ele é um ser humano, ele é dotado de uma mente. Então, eu acredito sim, até pelos comportamentos que ele tinha."
Posição suspeita da arma
Uma das peças-chave da investigação foi uma foto tirada pelo sargento do Corpo de Bombeiros Rodrigo Almeida Rodrigues. Ele foi um dos primeiros a entrar no apartamento, no Brás, depois do disparo. No depoimento, Rodrigo falou sobre a posição da arma encontrada na mão de Gisele. "Arma [estava] posicionada na mão dela. Pelo fato de eu ver uma arma, tipo, a pessoa tomou, deu um tiro na cabeça e a arma cair naquela posição, isso ficou muito curioso pra mim, eu nunca tinha visto aquilo, sempre num disparo a arma tem um impacto, tem uma força que joga ela pra fora e o jeito de cair também. Com base no que eu já vi, ela não cairia reta".
Comportamento estranho do acusado
No dia do crime, Geraldo Neto ligou para um desembargador, que foi até o prédio. O capitão Rafael Aguiar comandava a primeira equipe que atendeu a ocorrência. Depois, foi junto com o tenente-coronel até o Hospital das Clínicas, onde Gisele foi socorrida, e disse ter estranhado o comportamento dele. "Ele foi pra lá com o intuito de ver a situação da esposa e em nenhum momento ele desembarcou do carro e tentou ver qual a situação, se ela chegou lá com vida ou não, e a gente estranhou também essa atitude. Ficou ali uma hora, uma hora e meia e ele saiu de lá também sem saber se ela tinha falecido".
Investigação e depoimentos
As investigações da Polícia Civil e da Corregedoria da Polícia Militar concluíram que Gisele foi assassinada pelo próprio marido. Em abril, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o caso devia ser julgado pela Justiça comum, por entender que o crime não tem natureza militar. O tenente-coronel está preso preventivamente no Presídio Militar Romão Gomes, na Zona Norte da capital. Até o momento, 30 pessoas foram ouvidas, entre elas a filha de Gisele, uma menina de 7 anos, que contou que já presenciou muitas brigas entre a mãe e o padrasto. O depoimento de Geraldo Neto está marcado para o dia 28 de agosto. A TV Globo tentou contato com a defesa do policial, mas não obteve retorno até a publicação da reportagem.



