O Bank of America (BofA) juntou-se a instituições como XP e BTG e revisou para cima sua projeção para a Selic neste ano. Nesta sexta-feira (5), o banco americano passou a projetar a taxa básica em 14,25% ao fim de 2026, o que implica apenas mais um corte este ano, seguido de uma pausa prolongada. Anteriormente, o BofA estimava que o juro atual de 14,50% cairia para 13,25% ao final do ano.
Motivos da revisão
A avaliação considerou riscos de inflação em alta, atividade econômica impulsionada por estímulos fiscais e a desvalorização do real. “O Copom provavelmente sinalizará uma pausa por meio de uma mudança de linguagem, à medida que a barreira para novas flexibilizações aumenta e os retornos mais altos por mais tempo se intensificam”, afirma David Beker, chefe de economia para Brasil e de estratégia para América Latina do Bank of America, em relatório.
Cenário macroeconômico
Ao justificar a revisão, Beker aponta um cenário macroeconômico “significativamente menos favorável”, refletindo a “deterioração da dinâmica inflacionária atual” e a desvalorização do real, que até então segurava parte da transmissão dos preços por meio do câmbio. Em entrevista recente ao InfoMoney, o economista destacou que o câmbio era a principal variável observada pelo banco. Nesta sexta, a divisa americana opera em forte alta, acima de R$ 5,15, após dados de trabalho surpreendentemente altos nos Estados Unidos gerarem nova onda de aversão ao risco.
Atividade econômica e inflação
Além disso, o banco avalia que a atividade econômica permanece sustentada por estímulos fiscais e de crédito contínuos, pressionando a demanda e exigindo juros altos para conter a inflação, cujas projeções se afastam da meta do Banco Central, de 3%, com margem para teto de até 4,5%. O BofA destaca que os efeitos inflacionários do El Niño, que ameaça as safras de 2027, e o impacto do fim da jornada 6×1 ainda não foram incorporados na avaliação.
“Neste cenário, o espaço para novas flexibilizações monetárias é limitado, e o patamar para cortes adicionais tornou-se significativamente mais elevado, consistente com o retorno a um contexto de ‘juros altos por mais tempo’”, conclui o BofA.



