O Banco Central elevou sua projeção de alta do Produto Interno Bruto (PIB) para 2026, de 1,8% para 2,0%, e apontou que a chance de estouro do teto da meta de inflação no mesmo ano é de 79%. A revisão foi divulgada no Relatório de Inflação trimestral e já incorpora as medidas de estímulo econômico anunciadas pelo governo federal.
Projeções de crescimento e inflação
De acordo com o BC, a melhora na expectativa para o PIB reflete, em parte, o impacto de pacotes de incentivo, como a liberação de recursos do FGTS e a ampliação do crédito consignado. A autoridade monetária também ajustou para baixo a previsão de déficit em transações correntes, de US$ 58 bilhões para US$ 56 bilhões em 2026.
No entanto, a inflação segue como principal preocupação. O BC estima que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) encerre 2026 em 4,7%, acima do centro da meta de 3,5% e com 79% de probabilidade de superar o teto de 5%.
Mercados reagem
Os números foram recebidos com cautela por investidores. O dólar comercial opera em alta, cotado a R$ 5,85, enquanto o Ibovespa registra leve queda de 0,3% no início da tarde. Para o ex-diretor do Banco Central Luiz Fernando Figueiredo, o ajuste cambial pode ser intenso: “O dólar dispara como na era Dilma Rousseff, e o ajuste virá na marra”, afirmou em coluna publicada pelo site.
Impacto nos investimentos
Diante do cenário, analistas recomendam cautela com ativos de risco. A Sanepar, por exemplo, decidiu não distribuir proventos no primeiro semestre de 2026, enquanto a Klabin aprovou programa de recompra de até 31,25 milhões de units. O mercado de Fundos Imobiliários também sente a pressão: o FII RZTR11 rescindiu arrendamento após inadimplência em fazenda em Goiás.
Contexto internacional
Nos Estados Unidos, o PIB do primeiro trimestre cresceu 2,1%, acima das expectativas do mercado. Já no cenário geopolítico, dois terremotos atingiram a Venezuela, levando o ex-presidente Donald Trump a falar em “número devastador de mortos”. O petróleo caiu 1%, retornando a patamares pré-guerra, com a retomada do fluxo no Estreito de Ormuz.



