Balanços do 2T26 indicam retomada, mas El Niño preocupa
Balanços do 2T26 indicam retomada, mas El Niño preocupa

As projeções para a temporada de balanços do segundo trimestre de 2026 (2T26) apontam uma recuperação sólida das empresas brasileiras, após dois trimestres seguidos de retração. Segundo a XP, as companhias acompanhadas devem registrar avanço de 9,9% na receita líquida anualizada, com alta de 20,5% no Ebitda e de 19,8% no lucro líquido. No entanto, o radar dos investidores segue ligado nos impactos de um dos El Niño mais fortes da história, que ameaça pressionar a inflação de alimentos e reorganizar as expectativas para os próximos meses.

Em um cenário de mudanças constantes, acompanhar os sinais de inflação e política monetária é essencial para entender o comportamento dos ativos, de acordo com a XP. A análise conjunta das áreas Macro, ESG, Estratégia e setoriais da corretora mapeou os possíveis desdobramentos do fenômeno climático.

El Niño e o alerta para a inflação de alimentos

O próximo El Niño deve ser um dos mais intensos já registrados. O levantamento da XP indica que os efeitos sobre a agricultura devem elevar os custos produtivos e provocar um salto nos preços dos alimentos a partir do quarto trimestre de 2026. Essa pressão tende a contaminar a inflação ao consumidor e pode influenciar as decisões de política monetária no país.

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O impacto não se restringe ao campo. A alta dos alimentos costuma reduzir a renda disponível das famílias e afetar setores de consumo, varejo e serviços. Por isso, o mercado monitora de perto a evolução do fenômeno climático e suas consequências sobre a atividade econômica.

O que esperar dos balanços do 2T26

A despeito do cenário macroeconômico desafiador, tanto no Brasil quanto no exterior, os investidores aguardam com expectativa os resultados do segundo trimestre. A XP projeta uma recuperação relevante, com a receita líquida anualizada das empresas sob sua cobertura crescendo 9,9%. O Ebitda deve avançar 20,5% e o lucro líquido, 19,8%, confirmando a melhora operacional.

O ambiente de juros ainda elevados e a atividade econômica moderada, porém, seguem como obstáculos. A análise da XP reforça que a seleção de ativos precisará levar em conta não apenas o desempenho passado, mas também a capacidade das empresas de manter margens diante de custos crescentes, especialmente no agronegócio e em setores dependentes de insumos agrícolas.

No varejo, o pedido de oferta pública inicial (IPO) da Shein reforça a força da marca como concorrente de peso, favorecida pelo orçamento apertado do consumidor, apesar das barreiras impostas pela maior carga tributária. Em contrapartida, o Research XP avalia que as companhias nacionais seguem bem posicionadas em custo-benefício, sustentadas por margens robustas que reservam espaço para eventuais ajustes de preços.

IPCA-15 surpreende e projeção cai

O IPCA-15 de julho veio abaixo das estimativas do mercado, com desaceleração generalizada em diversos segmentos. Segundo a XP, a menor dispersão dos aumentos indica que o alívio de curto prazo não é pontual. Com isso, a projeção para o IPCA ao final de 2026 foi revisada de 5,2% para 5,1%.

A leitura mais benigna da inflação corrente, no entanto, convive com o risco de alta dos alimentos no quarto trimestre. A combinação desses fatores deve manter a autoridade monetária em estado de alerta ao calibrar a taxa básica de juros nos próximos meses. Para os investidores, isso significa que a renda fixa pode continuar atraente por mais tempo, mas sem descartar janelas de oportunidade na renda variável.

Renda fixa segue preferida, mas Bolsa ainda atrai

Levantamento recente realizado com a rede de assessores da XP aponta uma leve alta no movimento de redução da presença em renda variável. Embora a atratividade da renda fixa tenha recuado de forma perceptível, a categoria ainda lidera a preferência dos investidores.

Quase metade dos clientes, porém, mantém a visão de que existem oportunidades na Bolsa e prefere aguardar um momento mais favorável de preços para ampliar suas alocações. Essa postura indica cautela, mas também disposição para voltar a comprar ações quando o cenário ficar mais claro, especialmente em setores com valuation descontado e boas perspectivas de crescimento.

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Expert 2026: ministro e Will Smith marcam evento

O evento anual da XP, a Expert 2026, trouxe discussões centrais sobre economia e seleção de ativos. No segundo dia de programação, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, abordou a trajetória da política econômica brasileira e destacou os avanços no combate à desigualdade. Para Durigan, o país está no caminho certo, mas é preciso manter a disciplina fiscal e a credibilidade das instituições.

Outro momento marcante foi a participação do ator Will Smith, que encerrou sua fala com uma mensagem direta: "Mantenha o foco nas pessoas e o sucesso vai acompanhar". A frase ecoou entre os participantes e conectou o ambiente de negócios a uma reflexão sobre propósito e gestão. A Expert 2026 segue com painéis sobre macroeconomia, renda variável e estratégias de alocação para o segundo semestre.