A Argentina deve continuar fora do índice de mercados emergentes do MSCI no curto prazo, apesar das reformas recentes implementadas pelo governo, sem novos avanços em relação a 2025. Segundo análise do Morgan Stanley, a inclusão no principal benchmark global para países em desenvolvimento segue mais provável apenas em 2028, sinalizando um processo de reclassificação mais lento do que o esperado. Isso frustra as expectativas dos investidores de uma sinalização mais clara sobre uma eventual reclassificação.
Maratona, não corrida de velocidade
Para os analistas do Morgan Stanley, Nikolaj Lippmann e Julia M. Leão Nogueira, a Argentina está em uma “maratona, e não em uma corrida de velocidade”. Na avaliação da dupla, a continuidade das reformas, como a autorização para repatriação de dividendos, fortalece os argumentos para que a MSCI abra uma consulta pública sobre o país, embora ainda existam obstáculos relevantes à reclassificação. Leia também: Ibovespa Hoje Ao Vivo: Confira o que movimenta Bolsa, Dólar e Juros nesta sexta; Índices futuros dos EUA recuam com negociações paralisadas com o Irã; EUA e Irã adiam negociações nucleares devido ao agravamento dos confrontos no Líbano; Não está claro se os acontecimentos afetarão o Estreito de Ormuz.
Estabilidade institucional ainda é entrave
Ainda assim, o Morgan Stanley destaca que a principal restrição continua sendo a estabilidade do arcabouço institucional. A Argentina é o único país da América Latina classificado pela MSCI como necessitando de melhorias nesse critério. Segundo a MSCI, houve episódios de intervenção governamental que colocaram em dúvida a estabilidade da economia de livre mercado, inclusive em relação aos investimentos de estrangeiros. Continua depois da publicidade.
Bradesco BBI vê chances reduzidas
O Bradesco BBI, por sua vez, avalia que o relatório de acessibilidade de mercado de 2026 da MSCI reduz as chances de a Argentina ser incluída na lista de observação (watchlist) para uma eventual reclassificação já na próxima semana. O relatório reconhece avanços recentes promovidos pela Argentina, como a flexibilização do mercado de câmbio e a autorização para repatriação de dividendos desde 2025, mas não indica uma normalização completa do acesso ao mercado.
Embora reconheça que as reformas fortalecem a tese de normalização do mercado no médio prazo, o banco afirma que ainda faltam avanços claros em conversibilidade cambial, repatriação de capital e acesso ao mercado para justificar a inclusão do país na lista de observação. Baixe agora!
Diante desse cenário, o Bradesco BBI estima em menos de 25% a probabilidade de a Argentina entrar na watchlist da MSCI neste ciclo, considerando mais provável que esse movimento fique para 2027. Por isso, o banco mantém recomendação underweight (exposição abaixo da média do mercado) para os ativos argentinos, principalmente por considerar que os preços atuais já refletem um cenário bastante otimista.



