Expectativa de acordo entre EUA e Irã derruba cotação do petróleo
Acordo EUA-Irã derruba cotação do petróleo

As cotações do petróleo fecharam em forte queda nesta segunda-feira, 3 de agosto de 2026, com os investidores precificando uma possível retomada do acordo nuclear entre Estados Unidos e Irã. A expectativa de que Teerã volte a exportar petróleo de forma regular elevou a oferta projetada e derrubou os preços tanto do Brent quanto do WTI.

Na ICE, em Londres, o barril do Brent para outubro encerrou em baixa de mais de 2%, enquanto o WTI negociado na Nymex recuou na mesma proporção. O movimento reflete o alívio do mercado diante das negociações mediadas por potências europeias, que ganharam força após meses de impasse.

Impacto nos preços

"O mercado começa a incorporar um cenário de oferta mais folgada. Um eventual acordo pode tirar das sanções um volume significativo de barris, o que derruba a percepção de risco de desabastecimento", disse à reportagem o economista-chefe de uma gestora de recursos do Rio de Janeiro, sob condição de anonimato.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Os contratos futuros aceleraram as perdas na parte da tarde, quando circularam informações de que Washington estaria disposto a aceitar um cronograma mais longo para o enriquecimento de urânio iraniano. A notícia foi interpretada como um avanço concreto nas conversações.

Contexto geopolítico

As negociações entre Estados Unidos e Irã ocorrem em um momento de tensão no Oriente Médio. O mercado teme interrupções no estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. A possibilidade de um entendimento reduz o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços.

Segundo analistas, a volta do Irã ao mercado internacional poderia adicionar até 1,5 milhão de barris por dia à oferta global, o que mudaria o equilíbrio entre oferta e demanda no curto prazo.

Efeito sobre a inflação e bancos centrais

A queda do petróleo também foi bem recebida por investidores que monitoram a inflação. A energia é um dos componentes mais voláteis dos índices de preços, e uma trajetória de baixa reduz a pressão sobre os juros. No Brasil, a notícia aliviou as expectativas para os preços de combustíveis, embora a política de preços da Petrobras dependa de outros fatores.

"Se a commodity continuar caindo, o Banco Central pode ter mais conforto para cortar a Selic no próximo encontro", avaliou um estrategista de uma corretora de São Paulo.

Próximas etapas

Diplomatas devem se reunir novamente nas próximas semanas para discutir detalhes técnicos do acordo. Enquanto isso, o mercado permanece sensível a qualquer declaração de autoridades de ambos os países.

Analistas recomendam cautela, pois negociações desse tipo são historicamente sujeitas a reviravoltas. A cotação do petróleo pode voltar a subir caso haja ruptura nas conversas ou novos ataques no Oriente Médio.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar