O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, abaixo das projeções do mercado, que esperava variação entre 0,20% e 0,25%. O resultado reforça as apostas de que o Banco Central pode cortar a taxa Selic na reunião de agosto, embora a trajetória do petróleo mantenha o comitê em alerta.
Números da inflação e impacto na política monetária
No acumulado em 12 meses, o IPCA atingiu 4,23%, ainda acima do centro da meta de 3,5%, mas dentro do intervalo de tolerância. A desaceleração foi puxada principalmente por alimentos e transportes, que tiveram variações menores do que em maio. Analistas destacam que o dado fraco dá mais conforto ao Copom para iniciar um ciclo de afrouxamento monetário já em agosto.
“A inflação abaixo do esperado fortalece o argumento para um corte de 0,50 ponto percentual na Selic”, afirma Carlos Thadeu, economista-chefe da XP Investimentos. “No entanto, o BC deve monitorar de perto os preços do petróleo, que subiram 8% no mês e podem pressionar combustíveis e transportes nos próximos meses.”
Petróleo mantém alerta no radar do BC
A alta do petróleo no mercado internacional, impulsionada por cortes de produção da Opep+ e tensões geopolíticas, elevou o preço da gasolina nas refinarias em 5% em junho. Se o movimento se intensificar, pode contaminar as expectativas de inflação e reduzir o espaço para cortes adicionais da Selic. O BC já sinalizou que a decisão de agosto dependerá dos dados de inflação futura e das condições externas.
Para o mercado de renda fixa, o cenário abre oportunidades e riscos. Títulos atrelados ao IPCA, como as NTN-Bs, oferecem prêmios elevados, com taxas reais acima de 6% ao ano. “Com a inflação controlada e juros reais altos, a renda fixa continua atrativa, mas o investidor deve ficar atento à volatilidade do petróleo”, alerta Renata Oliveira, analista da gestora AZ Quest.
Reação do mercado e perspectivas
O Ibovespa acelerou a recuperação e voltou aos 175 mil pontos, impulsionado pelo alívio na inflação e pela expectativa de cortes de juros. Ações de empresas sensíveis à taxa de juros, como varejo e construção, lideraram os ganhos. O Goldman Sachs destacou 13 ações preferidas para aproveitar a queda da Bolsa e a melhora do cenário macroeconômico.
No mercado de câmbio, o dólar recuou 0,5% contra o real, refletindo o fluxo positivo para ativos brasileiros. A expectativa é de que a Selic encerre o ano em 12% ao ano, contra os atuais 13,75%, se a inflação continuar cedendo.



