O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, abaixo do esperado pelo mercado, que projetava elevação de 0,20%. O resultado reforça as apostas de que o Banco Central pode cortar a taxa Selic na reunião de agosto, embora a trajetória do petróleo continue a acender alertas entre os investidores.
Número surpreende e abre espaço para afrouxamento monetário
A inflação abaixo do consenso foi recebida com otimismo por analistas, que veem espaço para o Copom iniciar um ciclo de afrouxamento monetário. Em 12 meses, o IPCA acumula alta de 3,85%, ainda dentro da meta. O dado veio após uma sequência de pressões altistas em commodities, especialmente o petróleo, que subiu mais de 10% no último mês.
“O IPCA fraco reforça a aposta em corte da Selic em agosto, mas o petróleo mantém alerta”, afirmou um economista consultado pelo jornal. O mercado monitora de perto os preços internacionais, que podem impactar combustíveis e, consequentemente, a inflação nos próximos meses.
Petróleo e riscos fiscais ainda preocupam
Apesar do dado positivo, o cenário global permanece incerto. O petróleo tipo Brent opera acima dos US$ 80 o barril, pressionado por cortes de produção da Opep+ e tensões geopolíticas. No Brasil, a alta dos combustíveis pode reacender a inflação de serviços e transportes.
Além disso, o mercado segue atento ao quadro fiscal. A aprovação do arcabouço fiscal no Congresso trouxe alívio, mas a trajetória da dívida pública ainda preocupa. O Banco Central, em sua última ata, sinalizou que a política monetária depende da evolução da inflação e das expectativas.
Expectativa de corte e impactos na renda fixa
Com a perspectiva de queda dos juros, a renda fixa atrai investidores em busca de taxas elevadas antes do movimento. Títulos como o Tesouro IPCA+ com juros semestrais oferecem retornos reais acima de 6% ao ano, o que abre oportunidades e riscos. O Goldman Sachs apontou 13 ações preferidas para aproveitar a queda da Bolsa, enquanto a Azul traçou meta de reduzir alavancagem e elevar valor de mercado em 150% até 2029.
O mercado de ações também reage: o Ibovespa acelerou recuperação e voltou aos 175 mil pontos, impulsionado por blue chips como Petrobras e Vale. A MRV saltou 4% após retomada da geração de caixa no segundo trimestre, e a Multiplan vendeu terrenos próximos a três shoppings para projetos multiuso.
Impacto nos investimentos e no consumo
Para o consumidor, a inflação mais baixa alivia o poder de compra, mas o custo do crédito ainda é elevado. A Selic atual, em 13,75% ao ano, mantém financiamentos caros. Se o corte se confirmar, pode estimular o consumo e o mercado imobiliário. Por outro lado, a Oi alertou para queda de caixa e risco à continuidade operacional em agosto, enquanto a XP elevou a recomendação da Tupy para compra, priorizando empresas desalavancadas no setor de autopeças.
No mercado de renda fixa, a registradora CSD BR entrou no mercado de operações compromissadas, e a AZ Quest projeta que data centers podem trazer US$ 1 trilhão para o Brasil em cinco anos. O Tesouro Direto segue com taxas recordes, e especialistas recomendam aprender a investir com mais estratégia para aproveitar o momento.



