Desemprego no Brasil cai para 5,4% e freia corte da Selic, aponta IBGE
Desemprego cai a 5,4% e trava corte da Selic, diz IBGE

A taxa de desemprego no Brasil caiu para 5,4% no trimestre encerrado em junho, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, o menor desde 2014, surpreendeu o mercado e reforçou a tese de que a economia brasileira segue aquecida, mesmo com a manutenção da taxa Selic em 13,75% ao ano.

Desemprego em queda livre

O recuo de 0,3 ponto percentual em relação ao trimestre anterior (5,7%) ocorre em um cenário de juros altos, que tradicionalmente desaceleram a atividade econômica. Segundo analistas, a resiliência do mercado de trabalho tem sido sustentada por setores como serviços e comércio, que seguem gerando vagas. O número de desocupados caiu para 5,9 milhões, enquanto a população ocupada atingiu 98,4 milhões de pessoas.

Impacto na política monetária

A queda do desemprego é um dos fatores que explicam a decisão do Banco Central de manter a Selic estável. De acordo com a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), o mercado de trabalho apertado pressiona a inflação de serviços, dificultando a convergência da inflação para a meta. Com a taxa de desemprego abaixo do nível considerado neutro (estimado entre 6% e 7%), especialistas preveem que o ciclo de cortes será adiado. “Enquanto o desemprego continuar caindo, o Copom não terá conforto para reduzir juros”, afirma André Perfeito, economista-chefe da Galapagos Capital.

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Perspectivas para a Selic

O mercado já precifica que a primeira redução da Selic só deve ocorrer no final de 2025, ou até 2026. A manutenção dos juros elevados, porém, gera impactos no crédito e no consumo. Dados do IBGE mostram que a renda real dos trabalhadores cresceu 4,1% na comparação anual, mas o endividamento das famílias também subiu, atingindo 49,9%. Para o Tesouro Nacional, o cenário de desemprego baixo ajuda a reduzir a necessidade de estímulos fiscais, mas mantém a pressão sobre a dívida pública.

Reação do mercado

Os números do IBGE foram recebidos com cautela pelos investidores. No mercado de renda fixa, as taxas dos títulos prefixados subiram, refletindo a expectativa de juros altos por mais tempo. Já na Bolsa, o índice Ibovespa oscilou entre ganhos e perdas, com destaque para ações de empresas ligadas ao consumo, como Lojas Renner e Magazine Luiza, que podem sofrer com a compressão do crédito.

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