Deflação em junho traz alívio, mas inflação acumulada ainda exige cautela do Fed
Deflação em junho traz alívio, mas inflação ainda exige cautela

A deflação registrada em junho trouxe alívio para a economia americana, mas a inflação acumulada nos últimos 12 meses ainda preocupa o Federal Reserve (Fed). O índice de preços ao consumidor (CPI) caiu 0,08% no mês, a primeira queda mensal desde 2022, impulsionada pela forte redução nos preços da gasolina e de outros bens. No entanto, o núcleo da inflação, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, subiu 0,1% em junho e acumula alta de 3,3% em 12 meses, ainda acima da meta de 2% do Fed.

Impacto nos cortes de juros

O presidente do Fed, Jerome Powell, tem resistido à pressão do ex-presidente Donald Trump para cortar as taxas de juros. Em recente depoimento ao Congresso, Powell afirmou: 'Farei meu trabalho' e reiterou que o Fed precisa ver mais evidências de que a inflação está convergindo para a meta antes de afrouxar a política monetária. Apesar da deflação em junho, o mercado ainda precifica um corte de 0,25 ponto percentual na reunião de setembro, com probabilidade de 70%.

Reação dos mercados

A notícia da deflação impulsionou os mercados financeiros. O dólar caiu abaixo de R$ 5,10 pela primeira vez em semanas, e o Ibovespa registrou alta de 1,2% no pregão de quarta-feira. Investidores esperam que a combinação de inflação baixa no Brasil e nos EUA possa trazer de volta o fluxo de capital estrangeiro para a B3. No Tesouro Direto, as taxas dos títulos IPCA+ recuaram, com destaque para o leilão comedido de NTN-Bs, que ofertou apenas 500 mil títulos, abaixo da expectativa do mercado.

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Expectativas para o segundo semestre

Analistas do BBA reforçaram recomendação de compra para ações do setor de saúde, como Rede D'Or e Oncoclínicas, que aprovaram pedido de recuperação extrajudicial para dívidas de R$ 5,1 bilhões. A melhora do ambiente de crédito também manteve estável o endividamento das famílias em junho, segundo dados do Banco Central. No setor de energia, a mistura de 32% de etanol na gasolina pode se tornar permanente, segundo o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, o que beneficiaria usinas como a São Martinho.

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