Um dirigente do Banco Central Europeu (BCE) afirmou nesta quarta-feira que um aumento da taxa de juros em setembro será necessário, mesmo que o cenário econômico melhore nos próximos meses. A declaração foi feita durante um evento em Frankfurt, na Alemanha.
Inflação persistente justifica aperto monetário
O membro do conselho do BCE, que falou sob condição de anonimato, destacou que a inflação na zona do euro ainda está muito acima da meta de 2% e que as pressões inflacionárias subjacentes continuam fortes. "Ainda que vejamos uma melhora nas perspectivas de crescimento, a inflação não cairá rapidamente se não agirmos", disse o dirigente.
Dados recentes mostraram que a inflação ao consumidor na zona do euro subiu para 5,2% em junho, ante 4,8% em maio, impulsionada pelos preços de serviços e alimentos. A inflação básica, que exclui itens voláteis, ficou estável em 4,8%, sinalizando pressões de preços disseminadas.
Decisão de setembro depende dos dados
O BCE elevou a taxa de depósito em 25 pontos-base em julho, para 3,75%, e sinalizou que novas altas podem ocorrer. O dirigente reiterou que a decisão de setembro será baseada nos dados disponíveis, mas que a inclinação atual é por mais um aperto. "Se os dados não mostrarem uma desaceleração significativa da inflação, o movimento em setembro é quase certo", acrescentou.
Economistas consultados pela agência Reuters esperam que a taxa de depósito atinja 4,00% até o final do ano. O BCE também deve continuar reduzindo seu balanço, com o fim dos reinvestimentos de títulos que vencem no âmbito do programa de compras de emergência pandêmica (PEPP).
Impacto sobre o crescimento econômico
A política monetária contracionista já começa a pesar sobre a economia da zona do euro. O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu apenas 0,1% no primeiro trimestre de 2025, e indicadores de confiança empresarial e do consumidor caíram nos últimos meses. Contudo, o mercado de trabalho continua apertado, com taxa de desemprego em 6,4%.
O dirigente do BCE minimizou os riscos recessivos. "Uma desaceleração moderada é o preço necessário para conter a inflação. Mas não vemos uma recessão profunda", afirmou.
Pressão sobre governos e mercados
A perspectiva de juros mais altos por mais tempo eleva os custos de financiamento dos governos da zona do euro, especialmente os mais endividados, como Itália e Grécia. O spread entre os títulos italianos e alemães de 10 anos subiu para 185 pontos-base, próximo dos níveis de estresse.
O BCE está atento a possíveis fragmentações, mas o dirigente afirmou que o Instrumento de Proteção de Transmissão (TPI) está disponível para combater movimentos desordenados. "Não hesitaremos em usar o TPI se necessário", disse.
A reunião do BCE de setembro está marcada para os dias 11 e 12, e o mercado já precifica uma probabilidade de 70% de alta de 25 pontos-base.



