XP recomenda cautela com prefixados apesar de taxas recordes
XP recomenda cautela com prefixados apesar de taxas altas

As taxas dos títulos prefixados negociados no Tesouro Direto atingiram um patamar historicamente elevado, nível que costuma atrair investidores em busca de retornos nominais mais altos. Apesar disso, a XP recomenda cautela na classe e mantém a alocação próxima do nível neutro, segundo o relatório mensal de alocação divulgado na terça-feira (7).

Riscos fiscais e inflação resistente

Na avaliação da casa, o nível das taxas já reflete de forma mais clara as preocupações do mercado com uma inflação ainda resistente e com o quadro fiscal do país. A combinação entre atividade econômica resiliente, desafios fiscais e incertezas ligadas ao cenário eleitoral recomenda uma postura cautelosa. Por isso, a XP prioriza vértices intermediários dentro dos prefixados, de forma a aproveitar o retorno oferecido atualmente sem se expor tanto às oscilações típicas dos vencimentos mais longos.

Relação inversa entre taxa e preço

É importante lembrar que o preço do papel se movimenta na direção oposta à da taxa: quando a taxa sobe, o valor de mercado do título cai, e o contrário também vale. Para quem pretende carregar o papel até o vencimento, essas oscilações não alteram o retorno contratado. Já para quem precisar resgatar antes do prazo, a variação diária pode significar prejuízo momentâneo, mesmo sem qualquer mudança na qualidade do papel.

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Geopolítica impulsiona taxas

O pregão desta quarta-feira (8) ilustra bem esse risco. As taxas do Tesouro Direto abriram em forte alta, impulsionadas pela escalada geopolítica entre Estados Unidos e Irã, após Donald Trump classificar como “acabado” o acordo provisório de paz firmado em junho, e o petróleo voltar a subir.

Os prefixados lideraram a alta entre os títulos públicos na comparação entre terça e quarta-feira. O Prefixado 2029 subiu de 14,19% para 14,36%, o Prefixado 2032 avançou de 14,39% para 14,53% e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 subiu de 14,37% para 14,49%. Na prática, um investidor que tivesse alocado nesses papéis pouco antes da escalada veria nesta quarta-feira uma queda no preço de mercado do título, resultado direto do salto nas taxas.

Alocação em pós-fixados e indexados à inflação

Já para a parcela pós-fixada, a XP mantém alocação acima do nível neutro, justificada pelo carrego elevado em um cenário de Selic mais alta por mais tempo. Já para os títulos indexados à inflação, a casa cita uma janela de oportunidade aberta pelos juros reais em níveis elevados.

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