A Vale (VALE3) encerrou a última sessão do dia 28 cotada a R$ 75,84, registrando leve alta e esboçando uma reação após o movimento corretivo recente. No entanto, o panorama técnico ainda demanda cautela, uma vez que, no gráfico diário, o papel permanece dentro de um canal de baixa e abaixo da média móvel de 200 períodos. Já no semanal, a ação segue negociando abaixo das médias de 9 e 21 períodos, confirmando a persistência da tendência baixista no curto e médio prazos.
Resultados do 2º trimestre podem trazer volatilidade
A atenção dos investidores se volta para a divulgação dos números do segundo trimestre da companhia, prevista para esta quarta-feira, 30 de julho. O evento tem potencial para ampliar a volatilidade dos papéis, provocando movimentos mais intensos, inclusive rompimentos ou perdas temporárias de níveis técnicos relevantes. Vale lembrar que o Goldman Sachs recentemente rebaixou a recomendação da Vale para neutro, citando poucos gatilhos de curto prazo, mas a ação fechou em alta na mesma sessão.
Análise técnica diária: canal de baixa e recuperação das médias curtas
De acordo com Rodrigo Paz, analista técnico do InfoMoney, pelo gráfico diário a Vale ainda negocia dentro de um canal descendente, mantendo a tendência de baixa no curto prazo. Apesar disso, o ativo conseguiu recuperar as médias móveis de 9 e 21 períodos, o que sugere uma tentativa de reação compradora. Contudo, o papel permanece abaixo da média de 200 períodos, impedindo por enquanto a confirmação de uma reversão mais consistente.
"O ponto central para uma mudança de cenário será o rompimento da Linha de Tendência de Baixa (LTB). Caso a ação supere essa referência com aumento do volume comprador, poderá ganhar força para romper inicialmente as resistências de R$ 76,26 e R$ 79,32", destaca Paz. Acima desses níveis, os próximos objetivos aparecem em R$ 82,74, R$ 85,41 e R$ 89,75, antes de um eventual teste da máxima histórica de R$ 91,62. O Índice de Força Relativa (IFR) de 14 períodos está em 49,73 pontos, dentro da zona neutra, indicando equilíbrio entre compradores e vendedores e espaço técnico para movimentos em qualquer direção.
No campo negativo, o primeiro suporte está em R$ 74,80. A perda desse nível enfraqueceria a reação atual e poderia levar o ativo novamente a R$ 71,57. Caso essa faixa também seja rompida, a pressão vendedora poderá ganhar intensidade, abrindo caminho para quedas em direção a R$ 65,70, R$ 63,90 e R$ 61,00. "Minha leitura para o curto prazo é de uma tentativa de recuperação ainda sem confirmação. Para afastar o viés baixista, a Vale precisará romper a LTB e avançar sobre as principais resistências, preferencialmente com maior participação compradora", conclui o analista.
Médio prazo: correção e médias móveis como referência
No acumulado de 2026, as ações da Vale registram alta de 5,31%, negociadas atualmente a R$ 75,84. Pelo gráfico semanal, observa-se que o papel iniciou uma correção após testar R$ 89,75, patamar próximo da máxima histórica de R$ 91,62. Desde então, o fluxo vendedor passou a prevalecer, embora as últimas semanas mostrem uma tentativa de reação.
A ação permanece abaixo das médias móveis de 9 e 21 períodos, configuração que mantém o viés de baixa no médio prazo. Para que a recuperação ganhe consistência, Paz considera necessário superar a região dessas médias, o que poderá abrir espaço para avanços em direção à primeira resistência de R$ 80,17. Acima dela, o papel poderá voltar a buscar R$ 89,75 e, posteriormente, a máxima histórica de R$ 91,62.
Por outro lado, a perda do suporte em R$ 71,57 poderá intensificar a pressão vendedora e prolongar o movimento corretivo. Nesse cenário, os próximos pontos de sustentação estão em R$ 64,23, R$ 57,58, R$ 53,65, R$ 48,50 e R$ 45,16. O IFR de 14 períodos está em 46,94 pontos, também em zona neutra, reforçando a ausência de extremos técnicos e mostrando que ainda existe espaço para movimentos tanto de alta quanto de baixa.
"Minha leitura para o médio prazo, portanto, permanece cautelosa. Embora o papel ensaie uma reação, o viés seguirá desfavorável enquanto as cotações permanecerem abaixo das médias móveis. A superação dessas referências poderá fortalecer os compradores, enquanto a perda de R$ 71,57 elevará o risco de continuidade da correção", afirma o analista.
Suportes e resistências da Vale (VALE3)
Suportes: R$ 74,80; R$ 71,57; R$ 65,70; R$ 63,90; R$ 61,00 (curto prazo); e R$ 71,57; R$ 64,23; R$ 57,58; R$ 53,65; R$ 48,50; R$ 45,16 (médio prazo). Resistências: R$ 76,26; R$ 79,32; R$ 82,74; R$ 85,41; R$ 89,75; R$ 91,62 (curto prazo); e R$ 80,17; R$ 89,75; máxima histórica em R$ 91,62 (médio prazo).
Além da divulgação de resultados, outro fato relevante foi a renúncia de Marcelo Gasparino, vice-presidente do conselho da Vale, que pode adicionar incertezas adicionais ao papel. A combinação de fatores técnicos e fundamentais sugere que os próximos dias serão decisivos para a trajetória da ação.



