O Santander Brasil (SANB11) divulgou o balanço do segundo trimestre de 2026 (2T26) com lucro líquido gerencial de R$ 3,014 bilhões, queda de 20% em relação ao primeiro trimestre e de 18% na comparação anual. O resultado ficou entre 16% e 20% abaixo das expectativas do mercado e das principais casas de análise, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Provisões e margem financeira pressionam resultado
O lucro antes dos impostos (EBT) totalizou R$ 2,54 bilhões, recuo de 45% ante o trimestre anterior e de 40% ante o mesmo período de 2025. O número chegou a ficar 48% abaixo de algumas estimativas, sendo parcialmente compensado por uma alíquota de imposto efetiva negativa de 23%. Com isso, o retorno sobre patrimônio líquido (ROE) caiu para 12,5%, ante 16% no 1T26 e 16,4% um ano antes. O Goldman Sachs destacou que o ROE atingiu o menor nível em quase três anos.
As despesas com provisões para devedores duvidosos (PDD) somaram R$ 7,65 bilhões, alta de 21% na base trimestral e de 12% na anual. Segundo o banco, o movimento refletiu casos corporativos específicos, mudanças na metodologia de baixas contábeis (write-offs), provisões adicionais para clientes de atacado e um ambiente de crédito mais desafiador.
Qualidade dos ativos divide analistas
JPMorgan e Goldman Sachs chamaram atenção para o fato de que a inadimplência acima de 90 dias permaneceu estável em 3,3% apenas porque a nova política de write-offs acelerou baixas de créditos problemáticos. Sem esse efeito, o indicador teria avançado para aproximadamente 3,6%. Além disso, a cobertura de créditos em estágio 3 caiu para 65%, de 67,6% no trimestre anterior.
O Bradesco BBI adotou uma leitura mais construtiva sobre a qualidade dos ativos. Segundo o banco, os indicadores antecedentes de inadimplência apresentaram melhora, especialmente no segmento de pequenas e médias empresas (PMEs). A inadimplência entre 15 e 90 dias caiu para 3,3%, com destaque para a queda de 30 pontos-base nas PMEs. O BBI afirmou que esse movimento é positivo para o setor bancário como um todo, que continua monitorando riscos de deterioração.
Margem financeira com clientes encolhe
A margem financeira com clientes (NII), um dos principais motores de resultado dos bancos, caiu 3% na comparação trimestral e ficou abaixo das projeções. O spread caiu cerca de 40 pontos-base, para 10%, ante 10,4% no trimestre anterior. O JPMorgan afirmou que a magnitude da compressão foi difícil de explicar apenas pela estratégia de redução da exposição ao varejo de maior risco, destacando que algumas linhas continuaram crescendo, como financiamento ao consumo e crédito para empresas.
O Bradesco BBI observou que a contração foi influenciada por um mix mais conservador da carteira, menor participação do segmento de massa e maiores despesas com comissões diferidas de correspondentes bancários. O banco alertou que a forte compressão dos spreads pode continuar pressionando as receitas do Santander no futuro.
Receitas de serviços e evolução da carteira
As receitas com tarifas e serviços caíram cerca de 2% no trimestre, pressionadas por seguros, operações de crédito e corretagem, embora cartões e gestão de recursos tenham apresentado desempenho positivo. A carteira de crédito expandida avançou 1,3% na base trimestral e 5,8% na anual. O destaque foi o financiamento ao consumo, que cresceu 6% no trimestre e 15% em 12 meses. PMEs avançaram 12% na comparação anual, e grandes empresas registraram alta próxima de 7%. Em contrapartida, empréstimos pessoais recuaram 8% no trimestre, refletindo a estratégia de redução de exposição ao segmento de massa.
O Itaú BBA classificou o balanço como negativo, com receitas mais fracas encontrando provisões significativamente maiores. O mix da carteira está mais defensivo, com crescimento concentrado em veículos, PMEs e grandes empresas, enquanto o varejo encolhe. Embora reduza riscos, a estratégia prejudica rentabilidade e spreads.
Despesas controladas e capital sólido
As despesas operacionais permaneceram relativamente controladas. O banco encerrou o trimestre com cerca de 47,3 mil empregados, queda de 12% em 12 meses, mas o índice de eficiência piorou devido ao enfraquecimento das receitas. Os índices de capital seguiram sólidos: Basileia em 15,3% e capital principal (CET1) estável em 11,2%, conforme destacaram JPMorgan, Goldman Sachs e o próprio Santander.
Recomendações dos analistas
O Goldman Sachs mantém recomendação de venda para SANB11, com preço-alvo de R$ 27. O Bradesco BBI tem recomendação neutra e preço-alvo de R$ 29. O Itaú BBA reiterou marketperform (desempenho em linha com a média), com preço-alvo de R$ 32. Já o JPMorgan segue com overweight (exposição acima da média, equivalente a compra), embora destaque que o resultado foi negativo principalmente pela fraqueza da margem financeira.



