Os fundos multimercados, tradicionalmente vistos como alternativa de diversificação, estão perdendo até mesmo para a caderneta de poupança em 2026. Dados recentes mostram que o retorno médio desses fundos ficou abaixo da inflação e da poupança, levantando questionamentos sobre a validade do investimento no atual cenário econômico.
Desempenho abaixo do esperado
Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), o retorno acumulado dos multimercados no primeiro semestre de 2026 foi de apenas 2,5%, enquanto a poupança rendeu 3,8% no mesmo período. A diferença, embora pequena, representa uma inversão histórica, já que os multimercados costumam superar a poupança em prazos mais longos.
Causas da performance fraca
Especialistas apontam que a combinação de juros elevados, volatilidade cambial e incertezas fiscais tem prejudicado a capacidade dos gestores de gerar retornos. “O cenário de Selic alta torna a renda fixa muito atraente, e os multimercados, que dependem de arbitragens e exposição a ativos de risco, sofrem com a falta de tendências claras”, explica João Silva, analista da XP Investimentos.
Impacto para o investidor
Para o investidor pessoa física, o resultado é frustrante, especialmente considerando as taxas de administração e performance cobradas pelos fundos. Muitos aplicadores estão migrando para produtos de renda fixa, como CDBs e Tesouro Direto, que oferecem retornos superiores com menor risco. “O investidor precisa reavaliar se a estratégia de diversificação via multimercados ainda faz sentido no seu portfólio”, recomenda Maria Oliveira, consultora financeira.
Perspectivas para o segundo semestre
Analistas do mercado financeiro esperam que o desempenho dos multimercados melhore na segunda metade do ano, com a possível redução da Selic e a acomodação das tensões geopolíticas. No entanto, alertam que a recuperação pode ser lenta. “O martírio pode acabar, mas não há garantias de retorno aos patamares históricos”, pondera Silva.



