Multimercados perdem para a poupança em 2026: quando o martírio acaba?
Multimercados perdem para a poupança em 2026

Os fundos multimercados, tradicionalmente vistos como alternativa para diversificação e retorno superior, enfrentam um 2026 desafiador. Dados recentes mostram que muitos desses fundos apresentam rendimento inferior ao da poupança, que acumula cerca de 0,5% ao mês. A situação levanta questionamentos sobre a validade da estratégia de alocação nessa classe de ativos.

Desempenho abaixo da poupança

Segundo levantamento da XP, mais de 60% dos fundos multimercados com mais de R$ 100 milhões em patrimônio registram rentabilidade negativa no ano até junho. Enquanto a poupança rendeu 3,2% no semestre, a mediana dos multimercados ficou em 1,8%. Para o investidor pessoa física, a diferença é ainda mais relevante quando se considera o Imposto de Renda sobre os ganhos dos fundos.

Causas do martírio

O cenário macroeconômico adverso é o principal vilão. A taxa Selic mantida em dois dígitos, combinada com a volatilidade cambial e a incerteza fiscal, dificulta a gestão ativa. Estratégias de juros e câmbio, comuns nos multimercados, sofreram com movimentos bruscos. "O mercado está pagando para ver uma direção clara", afirma Carlos Viana, economista-chefe da gestora Kapitalo. "Enquanto o Banco Central não sinalizar cortes consistentes, os multimercados vão continuar penando."

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Quando o martírio pode acabar?

Especialistas apontam que a recuperação dos multimercados depende de três fatores: queda da Selic, redução do risco fiscal e normalização dos mercados globais. A expectativa é de que o Copom inicie um ciclo de cortes no segundo semestre, mas a magnitude ainda é incerta. "Se a Selic cair para 9% ao ano até o fim de 2027, os multimercados podem voltar a entregar prêmios interessantes", projeta Viana. Até lá, o investidor deve reavaliar a alocação e considerar alternativas como CDBs atrelados ao CDI ou títulos públicos indexados à inflação.

Impacto para o investidor

A perda de performance dos multimercados afeta principalmente investidores de alta renda e institucionais, que buscam diversificação. Para o pequeno investidor, a poupança segue como porto seguro, mas com rendimento real negativo. A recomendação dos analistas é manter a calma e não resgatar em pânico, mas também não aumentar a exposição sem uma perspectiva clara de melhora.

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