Multimercados perdem até para a poupança em 2026: quando o martírio pode acabar?
Multimercados perdem para a poupança em 2026: quando acaba?

Os fundos multimercados, tradicionalmente conhecidos por buscar retornos superiores em diferentes cenários econômicos, enfrentam um ano desafiador em 2026. Pela primeira vez em anos, esses fundos apresentam rentabilidade inferior à da poupança, que acumula ganhos de cerca de 6% ao ano. O desempenho frustra investidores que buscavam alternativas à renda fixa tradicional.

Desempenho dos multimercados em 2026

Dados de mercado mostram que a maioria dos multimercados brasileiros registra retorno médio de 4,5% no acumulado de 2026, contra 6,2% da caderneta de poupança. A diferença, embora pequena em termos absolutos, representa uma inversão de expectativas. Gestores atribuem o resultado à combinação de juros elevados, volatilidade cambial e incertezas fiscais.

Segundo analistas da XP Investimentos, “o cenário de juros altos no Brasil e nos EUA reduz as oportunidades de arbitragem e expõe estratégias complexas a riscos maiores”. A ata do Federal Reserve, divulgada recentemente, mostrou divisão entre integrantes sobre o futuro dos juros americanos, aumentando a aversão ao risco global.

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Causas do martírio

O principal fator é a política monetária restritiva. A Selic, atualmente em 14,25% ao ano, torna a renda fixa atrativa e eleva o custo de oportunidade para fundos que buscam retornos variáveis. Além disso, a volatilidade do dólar e as tensões geopolíticas, como o conflito entre EUA e Irã, afetam posições em moedas e commodities.

O Ibovespa recua nesta quarta-feira, mesmo com forte alta de petroleiras, refletindo a cautela dos investidores. A Vale cai mais de 4% após corte de recomendação do Morgan Stanley, pressionando ainda mais o mercado. “A combinação de incerteza fiscal no Brasil e risco geopolítico global cria um ambiente hostil para estratégias multimercados”, afirma Eduardo Mendes, colunista do InfoMoney.

Perspectivas de recuperação

A pergunta que fica é: quando o martírio pode acabar? Especialistas apontam que a recuperação depende de sinais de flexibilização monetária. O ex-diretor do Banco Central, em entrevista recente, aposta em continuidade dos cortes da Selic, contrariando o consenso do mercado. Se isso se confirmar, os multimercados podem se beneficiar.

Outro fator é a redução das tensões globais. Uma trégua comercial entre EUA e China ou um acordo no Oriente Médio poderiam diminuir a volatilidade. No entanto, o cenário ainda é incerto. “O investidor precisa ter paciência e avaliar se o gestor está conseguindo navegar o ciclo”, recomenda a XP.

Alternativas para investidores

Enquanto os multimercados patinam, a renda fixa segue como refúgio. CDBs, LCIs e LCAs oferecem taxas atrativas, com prêmios sobre o CDI. O Tesouro Direto, com taxas recordes, é outra opção. Para quem busca diversificação, os FIIs de shoppings ganham espaço nas recomendações de fim de semestre.

Para os que insistem em multimercados, a dica é escolher fundos com baixo risco de crédito e exposição a ativos líquidos. Acompanhar o fluxo cambial e as decisões do Copom também é essencial. O fluxo cambial total em 2026 até 3 de julho é positivo em US$ 16,824 bilhões, segundo o BC, sinalizando entrada de dólares que pode beneficiar estratégias cambiais.

Em resumo, o martírio dos multimercados pode se estender até que haja clareza sobre juros e geopolítica. Até lá, a poupança, apesar de baixa, segue como porto seguro.

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