Multimercados perdem até para a poupança em 2026; quando o martírio acaba?
Multimercados perdem até para poupança em 2026; quando acaba?

Os fundos multimercados, tradicionalmente vistos como alternativa para diversificação e busca de retornos superiores, estão enfrentando um desempenho decepcionante em 2026. Pela primeira vez em anos, muitos desses fundos acumulam rentabilidade inferior à da poupança, gerando questionamentos entre investidores sobre a validade de mantê-los em carteira.

Desempenho abaixo da poupança

Dados de mercado mostram que, no acumulado de 2026 até o início de julho, o retorno médio dos multimercados ficou em torno de 4,5%, enquanto a poupança rendeu aproximadamente 5,2% no mesmo período. A diferença, embora pequena, representa uma inversão de expectativas, já que os multimercados historicamente oferecem prêmio de risco em troca de volatilidade.

Segundo analistas, o principal fator para o fraco desempenho é o ambiente de juros elevados nos Estados Unidos e a incerteza fiscal no Brasil. A ata do Federal Reserve (Fed) divulgada recentemente mostrou divisão entre os membros sobre o futuro dos juros americanos, o que aumenta a volatilidade nos mercados globais e prejudica estratégias de arbitragem e renda variável adotadas por muitos gestores.

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Quando o martírio pode acabar?

Especialistas consultados indicam que a recuperação dos multimercados depende de um cenário macroeconômico mais estável. “Enquanto o Fed não sinalizar corte de juros e o Brasil não resolver suas questões fiscais, os multimercados continuarão sofrendo”, afirma Carlos Albuquerque, analista da XP Investimentos. Ele ressalta que alguns fundos com exposição cambial ou commodities têm se saído melhor, mas a maioria ainda patina.

Para o investidor, a recomendação é avaliar o horizonte de investimento. “Multimercados são produtos de longo prazo; olhar para um semestre não faz sentido”, pondera Albuquerque. No entanto, ele reconhece que a paciência está sendo testada.

Alternativas em alta

Com a frustração dos multimercados, a renda fixa tem ganhado destaque. CDBs, LCIs e LCAs oferecem taxas atrativas, com alguns títulos pagando acima de 100% do CDI. Além disso, o Tesouro Direto registra taxas recordes, com o Tesouro Selic rendendo próximo a 13,75% ao ano. “O investidor está migrando para o que é mais previsível”, observa Maria Fernanda, economista do BTG Pactual.

Outro movimento é o aumento da procura por Fundos Imobiliários (FIIs), especialmente os de shopping centers, que vêm ganhando espaço nas recomendações de corretoras. Esses ativos oferecem dividendos mensais e proteção contra a inflação, atraindo investidores em busca de renda.

Perspectivas para o segundo semestre

O mercado espera que o Copom mantenha a Selic em 13,75% ao ano, mas há expectativa de cortes a partir de 2027, o que poderia beneficiar os multimercados. Enquanto isso, a recomendação dos analistas é diversificar, evitando concentração em uma única classe de ativos.

A pergunta que fica é: vale a pena continuar investindo em multimercados? A resposta, segundo os especialistas, depende do perfil de risco e do prazo. Para quem tem horizonte de longo prazo, a estratégia pode fazer sentido; para quem precisa de liquidez, a renda fixa parece mais adequada no momento.

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