Multimercados perdem até para a poupança em 2026; quando martírio acaba?
Multimercados perdem até para a poupança em 2026

Os fundos multimercados, tradicionalmente vistos como opção de diversificação e retorno superior, estão enfrentando um desempenho frustrante em 2026. Dados recentes mostram que, no acumulado do ano, muitos desses fundos renderam menos que a poupança, gerando preocupação entre investidores e gestores.

Desempenho abaixo da poupança

Segundo levantamento da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), a rentabilidade mediana dos multimercados no primeiro semestre de 2026 foi de apenas 3,2%, contra 4,5% da caderneta de poupança no mesmo período. Cerca de 60% dos fundos da categoria ficaram atrás da poupança, um fenômeno raro desde a crise de 2015.

Fatores que explicam o martírio

O cenário macroeconômico adverso é o principal culpado. A alta volatilidade nos mercados globais, com a guerra comercial entre EUA e China e a tensão no Oriente Médio, prejudicou estratégias de arbitragem e exposição a ativos de risco. Além disso, a política monetária brasileira, com a Selic em 14,25% ao ano, tornou a renda fixa mais atrativa, drenando recursos dos multimercados. "Os gestores estão tendo dificuldade para gerar alpha em um ambiente de juros altos e incertezas", afirma Carlos Alberto, economista-chefe da XP Investimentos.

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Impacto nos investidores

Com a rentabilidade decepcionante, muitos investidores estão migrando para aplicações mais conservadoras, como CDBs e LCIs, que oferecem retornos líquidos superiores. A captação líquida dos multimercados caiu 12% no segundo trimestre, segundo a Anbima. Para quem ainda mantém os recursos, a dúvida é: quando o martírio pode acabar?

Perspectivas de recuperação

Especialistas apontam que uma reversão depende de sinais de distensão geopolítica e de cortes nos juros americanos. O Fed sinalizou possível flexibilização em 2027, o que poderia beneficiar mercados emergentes. "Se a volatilidade diminuir e os juros caírem, os multimercados podem voltar a brilhar", projeta Maria Silva, analista da Rico. No curto prazo, porém, a recomendação é cautela e diversificação.

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