JPMorgan rebaixa Simpar (SIMH3) para neutra e corta preço-alvo a R$ 12
JPMorgan rebaixa Simpar para neutra e corta preço-alvo

O JPMorgan rebaixou a recomendação da Simpar (SIMH3) de overweight (exposição acima da média do mercado, equivalente à compra) para neutra, citando questões de valuation. O banco destacou que o desconto da holding está em cerca de 10%, abaixo tanto da estimativa de valor justo do modelo (25%) quanto da média histórica (20%). Além disso, o preço-alvo foi cortado de R$ 14,50 para R$ 12.

Esforços de desalavancagem e impacto limitado

Apesar de reconhecer os esforços da gestão para reduzir a alavancagem no nível da holding — que caiu para R$ 1,2 bilhão após aumento de capital, ante R$ 4 bilhões em meados de 2023 — o JPMorgan avalia que iniciativas adicionais, como uma possível venda da divisão CS Infra Ports, teriam impacto apenas limitado e não seriam suficientes para justificar o desconto atual. Às 11h10 (horário de Brasília), as ações da companhia operavam em baixa de 1,29%, cotadas a R$ 7,65.

Análise bottom-up e cenário macroeconômico

Na análise bottom-up (que parte do micro para o macro), os analistas Guilherme Mendes e Julia Orsi observam melhora marginal nas tendências operacionais do grupo, com avanço gradual nos resultados e suporte ao processo de desalavancagem. Ainda assim, segundo a dupla, o cenário macroeconômico segue como fator de pressão, com maior incerteza sobre cortes de juros mais lentos que o esperado e com as eleições de outubro no Brasil podendo pesar sobre o sentimento do mercado. Diante disso, o JPMorgan revisou suas premissas de custo de capital para as quatro companhias, resultando em redução de 12% nos preços-alvo para dezembro de 2026.

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Preferência por JSL (JSLG3)

Dentro do grupo SIMPAR, o banco mantém preferência por JSL (JSLG3), destacando maior potencial de valorização (acima de 80%) e melhor momento de resultados. Após a redução de contratos menos rentáveis, a companhia parece bem posicionada para executar seu plano de crescimento, com potencial adicional de geração de caixa à medida que avança para um modelo mais asset-light. Além disso, negocia a um múltiplo atrativo de 3,7 vezes EV/EBITDA (Valor da Firma sobre EBITDA) projetado para 12 meses, abaixo da média histórica de 4,5 vezes. O JPMorgan manteve recomendação overweight para a JSL e reduziu o preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 11 para R$ 10.

Para 2026, o banco projeta receita de R$ 10,28 bilhões, Ebitda de R$ 2,1 bilhões e lucro líquido de R$ 174 milhões. Em 2027, estima Ebitda de R$ 2,28 bilhões e lucro líquido de R$ 321 milhões. Na avaliação do JPMorgan, a companhia deve voltar a apresentar crescimento de receita ao longo do restante de 2026, apoiada na expansão de seus três segmentos de atuação: Dedicated Services, Intralog e JSL Digital. O banco também espera continuidade do processo de desalavancagem, à medida que a empresa aumenta a participação de ativos alugados em relação aos próprios. Como principal ponto de atenção para a tese de investimento, o JPMorgan destaca a baixa liquidez das ações.

Movida (MOVI3) e Vamos (VAMO3)

Para a Movida (MOVI3), o JPMorgan manteve recomendação neutra e reduziu o preço-alvo para dezembro de 2026 de R$ 12,50 para R$ 12,00, após elevar a estimativa de custo de capital (Ke) para 15,75%. Para 2026, o banco projeta receita de R$ 16,2 bilhões, Ebitda de R$ 6,48 bilhões e lucro líquido de R$ 560 milhões, números acima do consenso do mercado. Para 2027, estima Ebitda de R$ 7 bilhões e lucro líquido de R$ 932 milhões. Na avaliação do JPMorgan, a Movida vem apresentando resultados operacionais sólidos nos últimos trimestres, impulsionados pelo aumento das tarifas e pela demanda resiliente tanto no segmento de aluguel de carros (RAC) quanto no de gestão e terceirização de frotas (GTF). O banco observa ainda que a demanda por seminovos permanece consistente, embora espere um aumento gradual das despesas com depreciação, o que deve limitar parte desse desempenho positivo.

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Para a Vamos (VAMO3), o JPMorgan manteve recomendação overweight e reduziu o preço-alvo de R$ 6 para R$ 5 para dezembro de 2026, também refletindo o aumento do custo de capital para 15,75%. O banco projeta receita líquida de R$ 6,51 bilhões, Ebitda de R$ 3,89 bilhões e lucro líquido de R$ 474 milhões em 2026. Para 2027, estima Ebitda de R$ 4,13 bilhões e lucro líquido de R$ 698 milhões. Segundo o JPMorgan, após um período de instabilidade nas retomadas de ativos, a tendência é de melhora gradual ao longo dos próximos trimestres, ainda que o processo não deva ocorrer de forma linear. O banco também destaca expectativa de aumento da taxa de ocupação dos ativos e demanda positiva observada no segundo trimestre de 2026. Apesar disso, afirma que as preocupações com o cenário macroeconômico brasileiro impedem uma visão mais otimista para a companhia.