A abertura de capital da SpaceX, que atribuiu à companhia um valor de mercado próximo de US$ 1,77 trilhão, movimentou o mercado global e elevou as expectativas para novos IPOs, especialmente no setor de Inteligência Artificial, com empresas como OpenAI e Anthropic. Em meio a análises sobre o maior IPO já registrado, surgem perguntas: qual será o vencedor da corrida pelos próximos IPOs? Há uma bolha de IA? E, se sim, como se proteger?
Relatório da Eleven aponta riscos e oportunidades
A Eleven, no relatório “Nova tecnologia + IPOs com valores elevados = nova bolha?” publicado nesta semana, argumenta que a sustentação dos valuations do setor deve ir além dos números e que há maneiras de se proteger em caso de bolha. Segundo Caio Borges, analista CNPI da casa, parte do objetivo de empresas como OpenAI e Anthropic é o desenvolvimento de uma “inteligência artificial geral”, estágio em que o modelo se tornaria capaz de aprimoramentos autônomos. Se esse ponto for alcançado, a dinâmica de vencedor único se estabeleceria, já que a diferença de minutos para a obtenção desse estágio tornaria a vantagem intransponível.
Ainda assim, há pontos relacionados à estrutura física que poderiam travar o desenvolvimento, e a diferença entre os produtos poderia criar uma dinâmica de oligopólio, segundo Borges. “Se alguma dessas empresas de fato alcançará a inteligência artificial geral, ou mesmo se esse patamar é tecnicamente possível, é algo difícil de afirmar. O que se observa, contudo, é um volume de investimentos que sugere que essa é uma das apostas centrais do setor e aqui devemos manter cautela para não cair na armadilha do FOMO”, afirma.
Múltiplos elevados sugerem sobrevalorização
Nesse ponto, a possibilidade de bolha, pelos números apresentados até agora, parece provável. O múltiplo EV/Ebitda, segundo o analista, sugere que há sobrevalorização de empresas como SpaceX (175x), SailPoint e CoreWeave, com múltiplos muito superiores aos de outros setores. No entanto, quando comparado com a bolha pontocom, o relatório da Eleven mostra que a sobrevalorização do eBay na época era muito superior, chegando a mais de 1600x. Isso joga contra a tese de estarmos em uma bolha, mas o risco existe, segundo a casa.
Diversificação da SpaceX como modelo de negócio
Segundo a Eleven, a SpaceX chegou à bolsa com um modelo de negócios diversificado, atuando em cinco frentes: lançamento espacial, conectividade, semicondutores, inteligência artificial e infraestrutura de computação. Essa diversificação ajudou a sustentar o interesse do mercado. A base operacional continua sendo o segmento de lançamentos espaciais, e a escala operacional cria vantagens competitivas para outros negócios, especialmente a Starlink, que já reúne mais de 9.600 satélites ativos e cerca de 10,3 milhões de assinantes. O serviço de internet via satélite é apontado como a principal fonte de receitas recorrentes, graças ao modelo baseado em assinaturas.
Parte importante da tese de investimento está na monetização da capacidade computacional. A companhia já possui contratos relevantes para o Colossus II, incluindo acordos com a Anthropic, que prevê pagamentos de US$ 1,25 bilhão por mês até maio de 2029, e com a Google, que desembolsará US$ 920 milhões mensais a partir de outubro de 2026. “Se por um lado, o valuation robusto em que a oferta das ações da SpaceX foi realizada anima as empresas, por outro lado acende um alerta para uma corrida por capital entre essas companhias, em um momento em que os investimentos anunciados pelas gigantes do setor se concentram na construção de data centers, projetos intensivos em capital”, diz Borges.
Alternativas de exposição ao tema
Para o analista, considerando que o risco de uma bolha existe, ainda há maneiras de se expor ao tema sem comprar papéis de companhias diretamente associadas. A melhor opção seria em infraestruturas próximas dos centros de processamento. Borges também afirma que há distorções momentâneas criando oportunidades em empresas de qualidade em outros setores, especialmente em mercados emergentes. Por fim, o analista sugere o ETF temático DTCR39, que investe em data centers e infraestrutura digital, oferecendo acesso à camada física que sustenta o crescimento da inteligência artificial.



