“Cada vez mais máquina operando, cada vez menos gestor”. A constatação é de Alfredo Menezes, CEO e CIO da Armor Capital, e sintetiza a transformação irreversível que ele observa no mercado financeiro global: robôs e inteligência artificial (IA) estão progressivamente substituindo os profissionais responsáveis por decisões de alocação de capital.
A Ascensão dos Algoritmos
Para Menezes, o mercado mudou em todo o mundo. Atualmente, quem domina são os fundos que operam por algoritmos — os chamados fundos quantitativos — e os fundos de índice negociados em bolsa (ETFs). “Não sei se volta. Acho que esse é um mercado que veio para ficar”, afirmou em entrevista ao programa “Stock Pickers”, apresentado por Lucas Collazo. A gestora que comanda administra R$ 1,7 bilhão.
Com 64 anos e 43 anos de mercado — iniciou a carreira aos 14 no setor administrativo de um banco —, o executivo conhecido como “Alfredão” não tem dúvidas de que a inteligência artificial vai eliminar profissões inteiras. Ele cita o gestor de renda fixa e o próprio economista como exemplos de funções ameaçadas.
O Futuro das Profissões
“Eu dependia muito da área econômica; hoje isso caiu para uns 30%, porque agora uso a IA. Em vez de ficar pesquisando, vou direto ao ponto”, revela Menezes. A redução de 70% na dependência de análises econômicas tradicionais ilustra o impacto da tecnologia sobre o trabalho humano. Para ele, o movimento é global e tende a se aprofundar.
O gestor também destaca que a eficiência proporcionada pela IA não se limita a cortar custos, mas também a aumentar a precisão das decisões. “A máquina processa volumes de dados que nenhum ser humano consegue”, complementa.
Bancos: Os Grandes Vencedores
Se a automação tira espaço de uns, para Menezes ela enche os bolsos de outros. O maior beneficiado será o setor de serviços, especialmente os bancos. “Quem mais investe hoje em tecnologia da informação são bancos e seguradoras. É um grande custo. Quando a eficiência chega, esse custo cai”, explica.
Por isso, ele mantém posições compradas (aposta na alta) em bancos brasileiros e estrangeiros. No Brasil, surpreende-se com o BTG Pactual (BPAC11), que “melhora todas as linhas”, e com o Itaú (ITUB4). Lá fora, prefere J.P. Morgan e Goldman Sachs. No varejo bancário internacional, cita Citigroup e Bank of America, que, em sua avaliação, ganham ainda mais com o corte de custos.
Onde a Armor Capital Está Investindo
Atualmente, a Armor Capital mantém cerca de 60% do risco alocado fora do Brasil, com maior concentração na Europa, nos Estados Unidos e no México. A estratégia reflete a busca por mercados onde a adoção de tecnologia está mais avançada e onde os bancos podem extrair maiores ganhos de eficiência.
Menezes também revela suas escolhas de fuga. Evita o Banco do Brasil (BBAS3) e instituições muito expostas ao agronegócio e a clientes das classes C e D, segmentos onde enxerga maior risco de inadimplência. Além disso, torce o nariz para as construtoras, pressionadas pelo custo alto do financiamento imobiliário.
Os Setores a Evitar
O gestor é enfático: “O Brasil ainda tem bancos com baixa eficiência e alta exposição a crédito de menor qualidade. Prefiro ficar com aqueles que já estão na vanguarda da transformação digital”. A visão de Menezes reforça a tese de que a IA não é apenas uma tendência, mas uma força que está redefinindo o mercado financeiro, tornando obsoletos profissionais e modelos de negócio que não se adaptarem.



