FIDCs oferecem prêmio de até 200 pontos-base sobre debêntures, diz gestora
FIDCs têm prêmio de 200 pontos-base sobre debêntures

Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios, conhecidos como FIDCs, podem proporcionar retornos significativamente superiores aos de debêntures de risco equivalente. De acordo com Jean-Pierre Cote Gil, sócio e gestor da Vinland Capital, esse prêmio não decorre necessariamente de maior risco de crédito, mas de uma combinação de menor liquidez, maior complexidade de análise, baixa concorrência entre investidores e um mercado secundário ainda pouco desenvolvido.

Diferencial de retorno

Na avaliação da gestora, esse diferencial pode chegar a 200 pontos-base ao ano em relação a uma debênture comparável. Para quem tem disposição, estrutura e equipe para mergulhar em cada operação, os FIDCs oferecem uma oportunidade que ainda é subestimada por boa parte do mercado.

Essa é uma das teses centrais da Vinland Capital, gestora com cerca de quatro anos de existência e uma prateleira que vai do fundo aberto com resgate em 30 dias até um fundo de infraestrutura listado em bolsa. A preferência declarada da casa pelos FIDCs em relação à dívida com garantia tem raízes jurídicas: quando um FIDC compra uma carteira de recebíveis, aquele ativo já pertence ao fundo. Ou seja, não é preciso acionar a Justiça para executar uma garantia contra a empresa originadora caso ela venha a quebrar. Enquanto os clientes da empresa devedora continuarem pagando, o fundo recebe normalmente.

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Lógica do FIDC

Quem explica a lógica é Cote Gil, em entrevista ao programa Stock Pickers, apresentado por Lucas Collazo. “Em tese, o FIDC, como é um veículo que compra o crédito, você não tem que executar contra a empresa aquele ativo que já foi adquirido pelo fundo. Já é do fundo”, diz o gestor.

Na prática, há nuances. A cessão precisa estar bem formalizada, o papel do emissor ao longo do programa de securitização precisa ser auditado e questões operacionais podem surgir. Mas, quando a estrutura está montada corretamente, as vantagens são reais.

Custo do prêmio extra

O prêmio extra, porém, tem um custo: há menos gestores comprando, a negociação no mercado secundário é mais difícil e a marcação a mercado pode complicar a vida de fundos com janelas de resgate curtas. “Você não negocia um FIDC tão facilmente, mesmo sendo de uma boa empresa, com ágio ou deságio”, reconhece o gestor. Para quem tem horizonte de investimento e capacidade de analisar cada operação a fundo, no entanto, o retorno adicional justifica o esforço.

“Os prêmios que a gente obtém nos FIDCs do mesmo nível de risco chegam a 100, 200 pontos-base acima ao ano de retorno. É muito retorno na mesa”, afirma Jean-Pierre Cote Gil.

Tipos de crédito

Entre os tipos de crédito que compõem as carteiras dos FIDCs, o consignado ocupa lugar de destaque na análise da Vinland — especialmente o federal, que tem histórico longo e comportamento mais previsível. O consignado privado CLT, modalidade mais recente que permite o desconto das parcelas diretamente na folha de pagamento de trabalhadores com carteira assinada, fica em uma posição intermediária: melhor do que o crédito pessoal sem garantia, mas abaixo do consignado público.

“O erro na primeira leitura que muita gente teve do consignado CLT foi imaginar que ele era um consignado federal um pouquinho pior. Na verdade, para a gente, ele é um consignado privado um pouquinho melhor, porque tem a formalização com o empregador, tem os descontos diretamente do FGTS”, avalia Cote Gil.

A inadimplência é mais elevada do que no consignado público, mas muito inferior à do crédito pessoal sem garantia, que registra perdas entre 30% e 40%. Para créditos com perdas esperadas mais altas, a equação que justifica o investimento passa pela proteção embutida na estrutura do fundo — a chamada subordinação — e pelo quanto a carteira rende acima do custo.

“A carteira tem uma perda esperada de 10%, por exemplo, e tem um spread — que é o quanto o crédito paga. Hoje no consignado privado tem um teto próximo de 5% ao mês”, detalha. O que sobra após custos e proteções é o excedente — a primeira linha de defesa do investidor.

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Operações menores e prêmio adicional

Operações menores, feitas de forma privada, sem banco coordenador e com menos concorrência, permitem à Vinland capturar um prêmio adicional. A gestora chega a participar de emissões de R$ 100 milhões, entrando com R$ 50 milhões ao lado de dois ou três outros investidores. “A gente consegue extrair um pouco mais de retorno na cota que está alocando”, diz o gestor.