Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) estão próximos de atingir a marca de R$ 1 trilhão em patrimônio líquido, um marco que reflete o crescimento acelerado desse segmento nos últimos anos. Segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), o patrimônio dos FIDCs saltou de R$ 600 bilhões em 2021 para cerca de R$ 950 bilhões em meados de 2026, impulsionado pela busca por alternativas de renda fixa privada.
Gestores apontam espaço para expansão
Apesar do avanço, gestores veem potencial significativo para crescimento. “O mercado de FIDCs ainda representa uma fração do crédito bancário no Brasil. Com a redução gradual da taxa Selic e a demanda por financiamento de empresas, há espaço para dobrar de tamanho nos próximos cinco anos”, afirmou Carlos Eduardo, gestor de um grande fundo multimercado.
O otimismo se baseia na diversificação dos ativos lastro, que vão desde duplicatas e cheques até direitos creditórios imobiliários e agropecuários. Além disso, a regulamentação mais clara e a maior aceitação por investidores institucionais têm ampliado o apetite por esses produtos.
Impacto para investidores
Para o investidor pessoa física, os FIDCs oferecem rentabilidade atrativa, muitas vezes superior aos CDBs e LCIs, com risco controlado. No entanto, especialistas alertam para a necessidade de análise criteriosa dos lastros e da qualidade dos cedentes. “Nem todo FIDC é igual. É fundamental entender a carteira de direitos creditórios e a experiência do gestor”, destacou Maria Silva, analista de renda fixa da XP Investimentos.
Com a perspectiva de juros ainda elevados no curto prazo, os FIDCs devem continuar atraindo recursos, consolidando-se como uma peça-chave na alocação de portfólios. O desafio, porém, será manter a qualidade dos ativos em um cenário de desaceleração econômica.



