ETFs temáticos: nova leva de IPOs nos EUA impulsiona fundos de nicho
ETFs temáticos: IPOs nos EUA impulsionam fundos de nicho

O mercado de ETFs temáticos vive um momento de atenção redobrada com a nova leva de mega ofertas públicas iniciais (IPOs) nos Estados Unidos. No dia 12 de junho, a SpaceX estreou na bolsa americana com um salto de mais de 19%, elevando seu valor de mercado para US$ 2 trilhões. Na fila para abrir capital estão gigantes como OpenAI, criadora do ChatGPT, e a Anthropic, dona do robô de IA Claude.

Oportunidade para ETFs temáticos

Segundo Danilo Moreno, analista da Investo, eventos como esses trazem para o noticiário teses como exploração espacial, conectividade via satélite e inteligência artificial. "O ETF temático é o veículo natural para quem quer exposição ao tema sem o risco de concentrar tudo em uma única empresa recém-listada, que tende a ser bastante volátil nos primeiros meses", afirma.

Enquanto ETFs tradicionais replicam índices amplos, como S&P 500 e Nasdaq, os temáticos são construídos a partir de recortes específicos, reunindo empresas de uma mesma tendência. No Brasil, o acesso a essas estratégias ocorre por meio de BDRs de ETFs – recibos representativos de cotas de ETFs estrangeiros, disponíveis desde 2020.

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BDRs de ETFs em alta na B3

Dados da B3 mostram que o volume negociado de BDRs de ETFs atingiu R$ 8,89 bilhões nos primeiros 120 dias de 2025, superando em 11% todo o ano de 2024 (R$ 7,99 bilhões) e correspondendo a mais de 70% do volume de 2026 (R$ 12,2 bilhões). Em 2026, a média diária de negociação é de R$ 110 milhões, 124% superior à média de 2025, de R$ 49 milhões.

Já os ETFs registram, em 2026, média diária de negociação acima de R$ 2 bilhões, volume 27,5% superior ao melhor resultado dos últimos cinco anos, alcançado em 2021 (R$ 1,6 bilhão).

Diversidade de temas e desafios

A gestora Global X oferece BDRs de ETFs com temas como veículos elétricos e autônomos (BDRI39), robótica e IA (BOTZ39), cibersegurança (BBUG39) e valores católicos (BCAT39). Flávio Vegas, especialista de produtos da Global X, destaca que temas escaláveis, aplicáveis em diferentes mercados, tendem a ter maior capacidade de crescimento. "A composição do ETF também deve ser analisada, considerando o equilíbrio entre empresas estabelecidas e em expansão", diz.

Na B3, há ETFs temáticos como JOGO11 (videogames, da Investo), RICO11 (carteira inspirada em bilionários, da Buena Vista Capital) e ELAS11 (liderança feminina, da Safra Asset).

Desafios na criação e manutenção

Leonardo Vasques, gerente de portfólio da XP Asset, explica que transformar uma tendência em ETF não é simples. "Temos que trazer para o investidor um tema atual, interessante e que consiga se manter perene", afirma. Antes de virar ETF, o tema costuma ser testado em fundos tradicionais para avaliar demanda e comportamento.

ETFs temáticos têm taxas mais elevadas que os tradicionais devido ao trabalho extra na seleção de índices. Outro desafio é o encerramento do fundo quando o tema perde relevância. "Em vez de encerrar, a maioria das gestoras opta por incorporá-lo a outro ETF com estratégia diferente", diz Vasques.

Em fevereiro de 2025, a Investo transformou o FOOD11 (agronegócio) no GLDX11 (ouro físico). Em dezembro, a Itaú Asset incorporou o YDRO11 (hidrogênio) ao TECK11 (tecnologia).

Riscos e recomendações

Para Moreno, o principal risco é a concentração. "Quando o tema vai bem, o retorno é expressivo, mas quando o setor sofre, não há outros segmentos para amortecer a queda", explica. Há também risco de timing e precificação: temas populares atraem capital rapidamente, e quem entra no auge pode pagar caro por expectativas que demoram a se concretizar.

Especialistas recomendam que ETFs temáticos sejam usados como componente satélite da carteira, não como núcleo. A exposição varia conforme o perfil do investidor. "Podemos esperar que eles avancem como parte satélite, não como o principal veículo dentro da bolsa", conclui Vasques.

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