Corrida de Wall Street: Anthropic ou OpenAI na frente?
Corrida de Wall Street: Anthropic ou OpenAI na frente?

A disputa pela supremacia na inteligência artificial (IA) ganhou um novo capítulo com a corrida para abrir capital em Wall Street. De um lado, Dario Amodei, CEO da Anthropic, criadora do Claude; do outro, Sam Altman, líder da OpenAI, responsável pelo ChatGPT. A rivalidade, que parece roteiro de Hollywood, envolve estratégias agressivas, egos inflados e muito dinheiro.

IPO na bolsa

Recentemente, Amodei pediu uma pausa no desenvolvimento da IA, alertando que humanos poderiam perder o controle. Dias depois, sua empresa apresentou documentos à SEC (autoridade reguladora dos mercados americanos) para abrir capital. A OpenAI seguiu o mesmo caminho uma semana depois. O momento é favorável: bolsas em alta e IA em evidência.

A Anthropic é avaliada em 965 bilhões de dólares, enquanto a OpenAI chega a 852 bilhões. Um IPO pode levar ambas ao seleto grupo das empresas trilionárias, hoje formado por Nvidia, Apple, Alphabet, Amazon, Meta e Tesla. Para comparação, a Siemens, maior empresa alemã, vale cerca de 230 bilhões de dólares.

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Investimentos e receitas

Segundo a consultoria Gartner, os gastos globais com IA devem ultrapassar US$ 2,5 trilhões em 2025, principalmente em infraestrutura de data centers. Até agora, a OpenAI arrecadou US$ 185,9 bilhões em rodadas de investimento, contra US$ 126,8 bilhões da Anthropic, de acordo com o analista Harrison Rolfes, da PitchBook.

Para Rolfes, a Anthropic tem melhores perspectivas: deve faturar US$ 47 bilhões neste ano, contra US$ 30 bilhões da OpenAI, mesmo tendo captado menos recursos. O foco no mercado corporativo é um diferencial: mais de mil empresas gastam mais de um milhão de dólares por ano com a Anthropic. Já a OpenAI domina o segmento de consumidores com o ChatGPT, que tem mais de 900 milhões de usuários semanais, mas a maioria usa o serviço gratuitamente. “Monetizar uma base tão grande de usuários grátis é um desafio”, afirma Rolfes.

Pedro Domingos, professor emérito da Universidade de Washington, concorda: “A Anthropic está mais avançada nos serviços para empresas, e é daí que virá a maior parte do dinheiro. Mas isso pode mudar rapidamente”. Segundo ele, a empresa tem mais demanda, mas menos capacidade computacional.

Disputa de egos

A rivalidade também envolve grandes egos. Em 2021, Amodei deixou a OpenAI por discordar da direção de Altman, excessivamente focada em dinheiro e insuficiente em responsabilidade. Desde então, posiciona a Anthropic como defensora de uma IA mais segura e regulada. Impôs limites quanto ao uso militar: o Claude não deveria ser usado para vigilância em massa nem sistemas de armas automatizados. Isso levou o Pentágono a classificar a Anthropic como “risco de segurança na cadeia de fornecimento”.

Sam Altman tenta ocupar esse espaço: a OpenAI planeja fornecer software ao Pentágono. Com isso, sua empresa assume cada vez mais o papel de “vilã” na disputa — algo irônico, considerando que a OpenAI foi fundada em 2015 com a missão de desenvolver IA de forma ética e responsável.

Especialistas acreditam que a postura de Amodei também tem componente de marketing. Para Domingos, o sucesso rápido e a pressão crescente podem abalar a imagem da Anthropic como “a empresa do bem”. “Decisões difíceis virão, e alguns funcionários podem sair decepcionados — como aconteceu quando Amodei e outros deixaram a OpenAI”.

Corrida pela AGI

Segundo Domingos, o objetivo final das empresas é desenvolver a Inteligência Artificial Geral (AGI), capaz de realizar qualquer tarefa cognitiva humana. “Quem chegar lá primeiro terá uma vantagem praticamente impossível de alcançar”. Ainda assim, Rolfes relativiza: “Chegar primeiro não significa vencer. Para lucrar de verdade com IA, é preciso adoção ampla, confiança das empresas e boas margens”. No fim, a disputa será decidida por qual tecnologia será adotada pelas maiores empresas do mundo. A corrida pela liderança na inteligência artificial ainda está longe de terminar.

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