A B3 expandiu nesta segunda-feira (29) a sua atuação no mercado de previsões e lançou dois contratos de eventos ligados a indicadores-chave da economia brasileira: o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), índice oficial de inflação, e o Produto Interno Bruno (PIB), que mede a atividade econômica do País.
Novos contratos PCA e PIB
Os novos contratos, identificados pelos códigos PCA e PIB, foram autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) inicialmente para investidores profissionais (com mais de R$ 10 milhões alocados em ativos financeiros ou certificação técnica emitida pela autarquia). Em abril, a B3 já havia lançado contratos de eventos associados ao Ibovespa, dólar e bitcoin, também direcionados para investidores profissionais. Mas o objetivo da Bolsa é ir além desse público.
“Entendemos que essa limitação apenas a investidores profissionais gera uma restrição aos investidores pessoa física, que têm muito interesse nesse perfil de produto”, afirmou Luiz Masagão, vice-presidente de Produtos e Clientes da bolsa brasileira, em conversa com jornalistas no início de março.
Risco limitado e funcionamento
Embora sejam semelhantes aos contratos de opções tradicionais, os contratos de eventos têm risco limitado para compradores e vendedores, já que não permitem alavancagem, ou seja, o investidor não pode perder mais do que aplicou.
No contrato PCA, o investidor poderá se posicionar em relação ao comportamento do índice cheio, tendo como referência a variação mensal do indicador. Já o contrato de PIB será baseado na variação trimestral da atividade econômica. Em ambos os casos, a negociação será feita por meio da probabilidade de ocorrência do evento, refletida no preço do contrato, que poderá variar de R$ 0 a R$ 100.
Contexto internacional e regulação no Brasil
Nos Estados Unidos, o mercado de previsões tem crescido, com contratos sobre diferentes temas, desde eleições até vencedores do Oscar. O segmento, no entanto, enfrenta disputas legais. Estados – que têm autonomia para autorizar e regular apostas no país – vêm contestando os mercados preditivos, argumentando que as plataformas deveriam seguir as mesmas regras aplicáveis às empresas tradicionais de bets.
Já no Brasil, o Conselho Monetário Nacional (CMN) publicou, no fim de abril, uma resolução que proibiu o funcionamento dos mercados preditivos para esportes, eleições e outros eventos reais. A resolução, no entanto, não impactou a B3, que lançou contratos financeiros.



