Azul sobe de nível na Nyse e promete reduzir dívida até 2029
Azul sobe de nível na Nyse e promete reduzir dívida

A Azul Linhas Aéreas relistou seus papéis na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse) nesta quinta-feira, 9, quase dez anos após sua abertura de capital (IPO). A empresa subiu de nível ao migrar do segmento Nyse American, destinado a companhias de menor porte, para o mercado principal da maior bolsa do mundo. No início das negociações, as ações subiram 2%.

Desempenho financeiro e metas

Na apresentação para investidores na sede da bolsa em Wall Street, a Azul comprometeu-se a reduzir a dívida e elevar o valor de mercado em 150% até 2029. Atualmente, a receita da companhia é 2,2 vezes maior do que quando abriu o capital, em abril de 2017. Na época, a operação levantou R$ 2 bilhões na B3 e na Nyse, com a empresa avaliada em mais de R$ 7 bilhões. Hoje, vale R$ 5,2 bilhões.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) é 3,2 vezes maior do que em 2017, segundo o CEO John Rodgerson. O endividamento caiu de 3 vezes para 2,4 vezes a relação dívida/Ebitda. O novo diretor financeiro, Antonio Carlos Garcia, ex-Embraer, afirmou que a meta é reduzir esse indicador para abaixo de 1,5 vez até 2029, com maior disciplina financeira e geração de caixa, o que pode reduzir o custo de captação em 200 pontos-base.

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Unidades de negócio e programas de fidelidade

Rodgerson destacou que a Azul vai além de uma companhia aérea, com seis unidades de negócio — logística, mídia e empresa de fidelidade, entre outras. “Você pode fazer dinheiro quando o passageiro não está viajando”, afirmou. A empresa já emitiu 1 milhão de cartões de crédito com o Itaú, e o programa de fidelidade tem 21 milhões de participantes, dos quais 1,2 milhão de usuários ativos por mês. As unidades de negócio responderam por 23% das receitas no primeiro trimestre de 2026, ante 17% em 2019, com expectativa de crescimento.

Contexto de mercado e cautela

Em meio a tensões geopolíticas que afetam o preço dos combustíveis, Rodgerson defendeu a decisão da Azul de reduzir a oferta para diminuir a exposição a riscos. “Você não vê o preço do combustível dobrar e quer voar a mesma quantidade. Acho isso uma idiotice”, afirmou, citando que as companhias aéreas mais bem administradas do mundo, como Delta, United e American Airlines, também reduziram capacidade. “É o momento para colocar o peito no chão, porque há balas voando. Um dia tem guerra, no outro não tem. Depois a guerra volta. Não queremos correr riscos nesse ambiente”, completou.

Recuperação e perspectivas

Rodgerson relembrou os desafios da última década, incluindo a pandemia de covid-19 e o Chapter 11 (recuperação judicial nos EUA), do qual a Azul saiu em fevereiro. “Viramos a página. Estamos de volta”, disse aos investidores. O Azul Day, reunião de duas horas com analistas e investidores, contou com representantes de bancos como JPMorgan e Goldman Sachs, muitos dos quais se tornaram acionistas após a conversão de dívida em ação no processo de reestruturação.

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