Ibovespa fica para trás: ações superam índice em até 16.833% em 10 anos
Ações superam Ibovespa em até 16.833% em 10 anos

Entre o fim de 2020 e o fim de 2025, o Ibovespa subiu 35,4%, desempenho inferior ao CDI acumulado de 68% no mesmo período. Enquanto isso, ações como Banco Mercantil do Brasil (BMEB4) e Embraer (EMBJ3) dispararam 1.097% e 910%, respectivamente. A distância entre o índice e os papéis vencedores se repete e se amplia em prazos de 10 a 20 anos, segundo levantamento da Economatica a pedido do InfoMoney.

Retornos do Ibovespa em diferentes janelas

Em 10 anos, o Ibovespa acumulou alta de 271,7%; em 15 anos, 132,5%; e em 20 anos, 381,6%. O retorno menor na janela de 15 anos reflete pontos de partida distintos: dezembro de 2010 marcou um topo de ciclo, enquanto 2015 terminou com o índice próximo ao fundo.

Em todas as janelas, um grupo de ações multiplicou o capital do investidor muitas vezes acima do índice. O caso mais extremo é o da Prio (PRIO3), ex-PetroRio, com alta de 16.833% em 10 anos, ou mais de 16.500 pontos percentuais acima do Ibovespa.

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Explicação para a diferença

Bruno Perri, sócio-fundador da Forum Investimentos, atribui a distância à construção do Ibovespa. “O Ibovespa é uma média ponderada por tamanho e liquidez, com representatividade concentrada em alguns papéis de peso significativo”, afirma. “Alguns destes papéis pesados não tiveram bom desempenho, enquanto o CDI se tornou um custo de oportunidade altíssimo, dados os patamares elevados da Selic.”

Já as empresas do topo do ranking, segundo Perri, são casos específicos, favorecidos por histórias próprias de bom desempenho corporativo ou de seus mercados, ou ainda papéis pouco líquidos e excessivamente descontados que foram “descobertos” pelos investidores.

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As 10 ações que mais superaram o Ibovespa em 5 anos

  • Banco Mercantil (BMEB4): 1.097,21% (1.061,83 p.p. acima do Ibov)
  • Embraer (EMBJ3): 910,41% (875,03 p.p.)
  • Pine (PINE4): 624,14% (588,76 p.p.)
  • Technos (TECN3): 568,73% (533,35 p.p.)
  • Minupar (MNPR3): 557,14% (521,76 p.p.)
  • Aura Minerals (AURA33): 519,1% (483,72 p.p.)
  • Direcional (DIRR3): 398,16% (362,78 p.p.)
  • Cury (CURY3): 380,35% (344,97 p.p.)
  • Vulcabras (VULC3): 356,02% (320,64 p.p.)
  • Marcopolo (POMO3): 347,91% (312,53 p.p.)

As 10 ações que mais superaram o Ibovespa em 10 anos

  • Prio (PRIO3): 16.833,28% (16.561,58 p.p.)
  • Unipar (UNIP6): 7.463,72% (7.192,03 p.p.)
  • Dexxos (DEXP3): 3.228,64% (2.956,95 p.p.)
  • Celesc (CLSC4): 2.441,89% (2.170,20 p.p.)
  • Bradespar (BRAP4): 2.352,30% (2.080,61 p.p.)
  • Direcional (DIRR3): 2.359,02% (2.087,33 p.p.)
  • Vulcabras (VULC3): 1.880,23% (1.608,54 p.p.)
  • CPFL Energia (CPFE3): 1.617,18% (1.345,49 p.p.)
  • Energias do Brasil (ENBR3): 1.604,24% (1.332,54 p.p.)
  • Vale (VALE3): 1.016,87% (745,17 p.p.)

As 10 ações que mais superaram o Ibovespa em 15 anos

  • Unipar (UNIP6): 6.277,93% (6.145,44 p.p.)
  • Banco Mercantil (BMEB4): 3.969,51% (3.837,02 p.p.)
  • Equatorial (EQTL3): 2.574,46% (2.441,97 p.p.)
  • CEB (CEBR3): 2.206,02% (2.073,53 p.p.)
  • Sanepar (SAPR4): 2.139,43% (2.006,94 p.p.)
  • Weg (WEGE3): 1.995,92% (1.863,43 p.p.)
  • Comgás (CGAS5): 1.518,72% (1.386,23 p.p.)
  • Sabesp (SBSP3): 1.319,51% (1.187,02 p.p.)
  • Copasa (CSMG3): 1.134,28% (1.001,79 p.p.)
  • Energisa (ENGI4): 1.006,56% (874,07 p.p.)

As 10 ações que mais superaram o Ibovespa em 20 anos

  • Energisa (ENGI3): 5.872,28% (5.490,66 p.p.)
  • Whirlpool (WHRL4): 5.781,77% (5.400,16 p.p.)
  • Aço Altona (EALT4): 4.792,65% (4.411,03 p.p.)
  • Banco do Nordeste (BNBR3): 4.029,17% (3.647,55 p.p.)
  • Sanepar (SAPR4): 3.904,50% (3.522,88 p.p.)
  • Comgás (CGAS5): 3.791,42% (3.409,80 p.p.)
  • Sabesp (SBSP3): 3.694,23% (3.312,61 p.p.)
  • Grazziotin (CGRA4): 3.078,18% (2.696,56 p.p.)
  • Porto Seguro (PSSA3): 2.925,52% (2.543,90 p.p.)
  • Copel (CPLE3): 2.761,53% (2.379,91 p.p.)

Retornos nem sempre capturáveis

Boa parte do topo dos rankings é ocupada por papéis de baixa liquidez e fora do Ibovespa, como Banco Mercantil, Unipar, Aço Altona, Dexxos e Grazziotin. Para Perri, retornos dessa magnitude são “em grande parte, teóricos”. “São apenas o preço de tela do fechamento de papéis que negociam muito pouco, e nos quais o investimento é bastante restrito justamente pelas condições de liquidez”, diz. Ele acrescenta que olhar apenas as janelas de “ponta a ponta” ignora o histórico de oscilações ao longo do período, que podem ser muito mais intensas nesses papéis do que em ações consolidadas.

Padrão dos setores regulados

Um padrão que se repete em todas as janelas é a presença recorrente de empresas de saneamento, energia elétrica e gás — Sabesp, Sanepar, Comgás, Equatorial, Energisa, Celesc e CEB aparecem entre as maiores altas em diferentes prazos. Para Perri, isso não é coincidência: “É estrutural e, por isso mesmo, setores defensivos e de forte geração de caixa, com previsibilidade, estão sempre entre nossas preferências na Bolsa brasileira”. Ele aponta três razões: esses ativos são menos cíclicos, com receita pouco dependente do crescimento da economia; existem barreiras de entrada importantes em setores consolidados; e, em algumas janelas, essas empresas estavam baratas e passaram por privatizações e ganhos de eficiência operacional.

Caso Prio

O maior retorno do levantamento — 16.833% da PRIO em 10 anos — levanta a questão se casos assim podem ser identificados com antecedência. “A tese era identificável; a magnitude, não”, responde Perri. Ele lembra que, em 2015, a então PetroRio era uma microcap que começou a comprar campos maduros dos quais a Petrobras estava se desfazendo, reduzindo o custo de extração. “Para especialistas no setor, havia sinais importantes de crescimento de receita e ganho de margem.” O tamanho da valorização, porém, surpreendeu até quem acompanhava a tese de perto. “Na minha opinião, a magnitude desta melhora foi bastante surpreendente e, de forma geral, movimentos assim sempre são”, conclui o estrategista.