Mercado de ações europeu não reflete economia estagnada e atrai investidores
Ações europeias não refletem economia estagnada

Um estudo de Jay Ritter, da Universidade da Flórida, comparou os retornos dos mercados de ações de 16 países com o crescimento do PIB per capita entre 1900 e 2002 e encontrou uma correlação negativa: quanto mais rápido um país ficava mais rico, pior tendiam a ser os resultados de seus investidores. Esse fenômeno ajuda a explicar por que as ações europeias, apesar da economia estagnada, podem ser uma aposta interessante.

Crescimento fraco, mas ações subvalorizadas

O FMI estima que o crescimento do PIB na zona do euro será de apenas 1,1% este ano, contra 1,8% das economias avançadas e 2,3% dos Estados Unidos. A Europa enfrenta desafios estruturais: falta de gigantes de IA, centros de dados insuficientes, rede elétrica sobrecarregada e dependência energética (importa quase 60% da energia). Apesar disso, as ações europeias estão subvalorizadas e merecem atenção.

Guerra no Irã e impacto nos lucros

Após o fechamento do Estreito de Ormuz devido à guerra no Irã, os fluxos de capital para ações europeias secaram e os preços caíram, recuperando-se apenas quando o estreito reabriu. No entanto, o Morgan Stanley aponta que 20% dos lucros do índice MSCI Europa vêm de empresas beneficiadas pelo aumento de commodities (energia, produtos químicos), enquanto apenas 10% (como montadoras) foram prejudicados. A guerra, portanto, impulsionou lucros mesmo ameaçando a economia.

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Receita global e inflação como aliadas

Mais da metade da receita das empresas europeias vem de fora do continente; ponderada pelo valor de mercado, a fatia sobe para 60%. Nenhuma outra região tem mercados tão expostos globalmente. A inflação, impulsionada pela guerra, também favorece as ações: 40% do valor de mercado corresponde a empresas com ativos reais (commodities, semicondutores), que se saem bem com preços altos, e 20% são bancos, beneficiados por juros elevados.

Perspectivas otimistas para lucros

Analistas preveem crescimento de 17% no lucro por ação em 2026, abaixo dos 24% esperados para os EUA, mas bem acima dos 9% de dois anos atrás. Segundo uma estrategista de ações europeia, os investidores internacionais que antes temiam excesso de exposição aos EUA agora podem voltar a buscar diversificação na Europa. O mercado de ações europeu, conclui, não reflete sua economia — e isso pode ser uma vantagem.

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