Vale-refeição dura apenas 9 dias úteis e perde poder de compra
Vale-refeição dura 9 dias úteis; diferenças regionais

O vale-refeição passou a durar, em média, apenas nove dias úteis por mês no primeiro semestre de 2025, uma redução de 4,4% em relação ao mesmo período do ano anterior. É o que revela levantamento da empresa de benefícios Pluxee, que analisou dados de transações e concessões do benefício em todo o país.

Queda na duração e disparidades regionais

O estudo aponta que, embora a média nacional seja de nove dias úteis, a realidade varia drasticamente entre os estados. Em Roraima, na Região Norte, o saldo do vale-refeição cobre, em média, apenas seis dias úteis. Maranhão, no Nordeste, vem em seguida com sete dias. Acre e Rondônia, ambos no Norte, registram oito dias. No extremo oposto, estados do Sudeste lideram: Minas Gerais apresenta a maior média, com 13 dias úteis, seguido por Rio de Janeiro e São Paulo, ambos com 12 dias.

Essa desigualdade reflete diferenças no custo de vida e nos valores creditados pelas empresas. Enquanto trabalhadores em Roraima veem o benefício se esgotar em menos de uma semana, mineiros conseguem estender por mais de duas semanas.

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Refeição sobe mais que o benefício

Segundo o levantamento, o valor médio da refeição aumentou 4,3%, chegando a R$ 44,69. Em contraste, o valor facial médio do vale-refeição creditado pelas empresas cresceu apenas 1,5%, atingindo R$ 583,75. Essa defasagem tem forçado os trabalhadores a complementarem os gastos do próprio bolso. O gasto médio por transação presencial é de R$ 43,44, enquanto em aplicativos e serviços on-line chega a R$ 58,61.

— Os dados deste ano acendem um sinal de alerta inegável para a segurança alimentar do trabalhador brasileiro. O maior ponto de atenção que os números indicam é a discrepância entre a inflação e o reajuste do benefício, pois enquanto o IPCA da alimentação fora do domicílio foi de 6,22%, o valor facial do vale-refeição subiu apenas 1,5%. Esse cenário está reduzindo o poder de compra em um ritmo acelerado e ampliando a necessidade de complemento por parte dos trabalhadores, que hoje precisam desembolsar, em média, 101% (R$ 589) a mais do que ele recebe de VR para cobrir seus gastos — afirma Antônio Alberto Aguiar (Tombé), Diretor Executivo de Estabelecimentos da Pluxee.

Impacto nos hábitos de consumo

Diante da redução do poder de compra, os brasileiros têm ajustado seus hábitos. O estudo mostra um aumento nas transações presenciais, provavelmente em busca de preços mais baixos, enquanto os pedidos por aplicativos, que geralmente têm valor médio mais alto, perdem espaço. Ainda assim, a pressão sobre o orçamento familiar é grande: com o benefício durando menos, muitos trabalhadores recorrem a outras fontes de renda ou reduzem a qualidade das refeições.

A Pluxee ressalta que a situação exige atenção de empresas e formuladores de políticas públicas. A recomendação é que os empregadores revisem periodicamente o valor do benefício, alinhando-o à inflação real do setor de alimentação, para garantir que o vale-refeição cumpra seu papel de assegurar a nutrição dos trabalhadores.

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