O número de recuperações extrajudiciais no Brasil tem aumentado significativamente, impulsionado pelo cenário de juros altos que pressiona as empresas endividadas. Dados recentes mostram que, entre janeiro e maio de 2025, os pedidos cresceram 35% em comparação com o mesmo período do ano anterior, totalizando 1.240 processos.
Pressão dos juros altos sobre as empresas
A taxa Selic, atualmente em 14,25% ao ano, encarece o crédito e dificulta a renegociação de dívidas. Pequenas e médias empresas são as mais afetadas, mas grandes grupos também recorrem à recuperação extrajudicial como forma de evitar a falência. Segundo a Serasa Experian, o endividamento das empresas atingiu 68% em maio, o maior nível desde 2020.
“A recuperação extrajudicial é uma ferramenta mais rápida e menos onerosa que a judicial, especialmente em um ambiente de juros elevados”, afirma Carlos Eduardo de Oliveira, sócio do escritório de advocacia Oliveira & Associados, especializado em reestruturação de dívidas.
Setores mais impactados
Os setores de comércio e serviços lideram os pedidos, respondendo por 55% do total. A indústria vem em seguida, com 30%. A construção civil também tem destaque, com alta de 20% nos pedidos em relação a 2024.
Especialistas apontam que a tendência deve se manter enquanto os juros permanecerem elevados. O Banco Central sinalizou que a Selic deve continuar em patamar alto até o final de 2025, o que pode ampliar o número de recuperações extrajudiciais.
Vantagens da recuperação extrajudicial
Diferente da recuperação judicial, a extrajudicial não exige a aprovação de todos os credores em assembleia, bastando a concordância de 60% deles. O processo é mais ágil e sigiloso, preservando a imagem da empresa. “Em muitos casos, a empresa consegue renegociar dívidas sem paralisar suas operações”, explica Oliveira.
No entanto, críticos apontam que a modalidade pode ser usada para beneficiar acionistas em detrimento de credores menores. O Ministério Público tem fiscalizado casos suspeitos de fraude.
Impacto na economia
O avanço das recuperações extrajudiciais reflete a fragilidade do ambiente de negócios no Brasil. A combinação de juros altos, inflação persistente e baixo crescimento econômico tem levado muitas empresas à reestruturação. Segundo o FMI, o PIB brasileiro deve crescer apenas 1,2% em 2025, insuficiente para gerar receita que cubra os custos financeiros.
Para os investidores, o cenário exige cautela. Empresas com alto endividamento podem enfrentar dificuldades, enquanto setores como energia e infraestrutura mostram maior resiliência.



