O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou alta de 0,16% em junho, resultado inferior ao projetado pelo mercado financeiro. O dado reforça a aposta de analistas em um corte da taxa básica de juros (Selic) na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) em agosto, embora a alta do petróleo mantenha o alerta no radar.
Inflação abaixo do esperado abre espaço para flexibilização monetária
A variação de 0,16% ficou abaixo das estimativas medianas do mercado, que apontavam para um avanço em torno de 0,20% a 0,25%. No acumulado em 12 meses, o IPCA passou a ser de 3,75%, dentro da meta perseguida pelo Banco Central. "A leitura do IPCA veio mais benigna do que o esperado, o que fortalece a narrativa de que o ciclo de aperto monetário já deu seus frutos e agora é hora de iniciar a flexibilização", afirma o economista-chefe da XP Investimentos, Caio Megale.
Petróleo ainda preocupa e pode limitar cortes
Apesar do alívio inflacionário, o preço do petróleo no mercado internacional segue elevado, pressionado por tensões geopolíticas no Oriente Médio e cortes de produção da Opep+. O combustível é um dos principais componentes do IPCA, especialmente nos itens de transporte. "O petróleo ainda é uma nuvem no horizonte. Se continuar subindo, pode contaminar as expectativas de inflação futura e atrapalhar o plano de cortes da Selic", alerta o economista do Banco Fator, José Francisco de Lima.
Impacto nos mercados e nas taxas de renda fixa
Com a perspectiva de juros mais baixos, os títulos de renda fixa atrelados à inflação, como o Tesouro IPCA+, ganharam destaque. Alguns papéis chegam a oferecer prêmios de IPCA+17% ao ano, atraindo investidores em busca de proteção e rentabilidade. No entanto, especialistas recomendam cautela: "Taxas tão altas refletem riscos de crédito ou de prazo. O investidor precisa avaliar bem o emissor e o horizonte", orienta o analista de renda fixa da Suno Research, Luis Otávio Leal.
Bolsa e ações preferidas
O Ibovespa acelerou a recuperação e voltou aos 175 mil pontos, impulsionado pela melhora das expectativas de juros. O Goldman Sachs apontou 13 ações preferidas para aproveitar a queda da bolsa, entre elas Petrobras, PRIO e PetroReconcavo, que se beneficiam da alta do petróleo. Já a MRV saltou 4% após retomar a geração de caixa no segundo trimestre, enquanto a Azul traçou meta de reduzir alavancagem e elevar o valor de mercado em 150% até 2029.
O que esperar do Copom em agosto
A maioria dos analistas projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 13,75% ao ano, para 13,50%. No entanto, o comunicado do Copom deverá ser cauteloso, destacando que a trajetória futura dependerá da evolução das expectativas de inflação e do cenário externo. "O BC não deve se comprometer com um ciclo de cortes agressivos. A palavra de ordem é gradualismo", afirma o estrategista da CM Capital, André Perfeito.



